O estudo “Diagnóstico à Profissão de Médico Dentista 2022” é o tema de capa da edição 57 da Revista da OMD. Neste inquérito a 3438 profissionais são apresentadas várias conclusões, no âmbito da medicina dentária, que espelham uma realidade preocupante. Uma das questões mais relevantes diz respeito ao elevado número de médicos dentistas a trabalhar no estrangeiro.
Segundo este estudo, mais de metade dos profissionais portugueses a exercer no estrangeiro decidiram emigrar já depois de iniciarem a sua atividade em Portugal. Cerca de um terço não esperou mais de seis meses, um valor que quase duplica quando a decisão é tomada até dois anos.
As razões também não deixam margem para dúvidas: 58,9 % diz que não conseguia ter um rendimento satisfatório em Portugal e também que a profissão não é valorizada; 49,3 % não auferia um salário estável; 32,4 % não tinha um contrato de trabalho. De resto, este inquérito também revela que a entrada no mercado de trabalho é cada vez mais tardia.
O bastonário da OMD, Miguel Pavão, alerta que “o mercado de trabalho nacional está cada vez mais saturado, o que provoca uma progressiva precarização e desvalorização da profissão e o aumento dos fluxos migratórios para exercício da profissão em outros países, nomeadamente dos mais jovens”.
Nesta edição, Margarida Tavares afirma que “a saúde oral tem de assumir o lugar que merece”. Em entrevista à Revista da OMD, a secretária de Estado da Promoção da Saúde aborda o papel dos médicos dentistas nos planos traçados pelo Governo para o setor da saúde e esclarece que os vários grupos de trabalho que foram constituídos encontram-se a trabalhar na organização das Unidades Locais de Saúde (ULS), que estarão criadas em 2024, na revisão do cheque-dentista e na criação do cheque reabilitação/prótese.
Margarida Tavares sublinha, ainda, que a aposta na saúde oral está consubstanciada na instalação e equipamento de 150 novos gabinetes de medicina dentária, até 2026, o que representa um investimento de 7,2 milhões de euros no âmbito do PRR. A secretária de Estado da Promoção da Saúde explica que, neste sentido, “Portugal não está a começar do zero” e beneficia das experiências-piloto que começaram em 2016.
- Aceda à versão digital da Revista da Ordem dos Médicos Dentistas nº 57.
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Ao longo da edição 57 também é dado destaque ao Orçamento de Estado (OE) para 2024, que contempla respostas para a saúde oral através da instalação de novos gabinetes de saúde oral, da revitalização do cheque dentista e da criação do cheque prevenção e do cheque reabilitação. A votação final da proposta está marcada para 29 de novembro.
Leia ainda a entrevista a Khaled Abdel-Gaffar, ministro da Saúde e da População do Egipto, sobre o panorama da saúde oral no país e os projetos do seu ministério para esta área.
Saiba também o que muda no Estatuto da OMD, aprovado em Assembleia da República, e conheça as bases da proposta, entregue no gabinete do secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, que defende que a maioria do capital social das clínicas de medicina dentária deve estar na posse de médicos dentistas.
Na rubrica Estilo de Vida, falámos com o escritor Richard Zimler sobre o seu novo livro “A aldeia das almas desaparecidas: aquilo que procuramos está sempre à nossa procura”, numa entrevista que aborda, entre outros temas, o panorama social, cultural e político.
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