Definir um programa anual de investimento em saúde oral, reformular o cheque-dentista, aproveitar o Plano de Recuperação de Resiliência para fazer reformas nos cuidados de saúde primários, integrando os médicos dentistas e criar a carreira de Medicina Dentária no Serviço Nacional de Saúde. Estes foram alguns dos desafios lançados no passado dia 21 de março, em Viseu, pelo bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas e por especialistas em saúde oral, para a nova legislatura, de forma a melhorar o acesso de todos aos cuidados médico-dentários em Portugal.

Na conferência “Definir uma nova agenda no pós-pandemia”, organizada pela OMD e transmitida em direto pelo Jornal de Notícias e Diário de Notícias, o bastonário da OMD, salientou que “ainda há muito por fazer para que as necessidades dos portugueses em matéria de saúde oral estejam integralmente garantidas”. Apesar dos “inegáveis avanços alcançados nos últimos anos em Portugal”, Miguel Pavão lembrou que 70% dos portugueses têm falta de dentes.

Na abertura da sessão, Graça Freitas, Diretora-Geral da Saúde, anunciou que, “num futuro próximo”, poderá ser alargado o acesso ao cheque-dentista, de forma a abranger “outros grupos vulneráveis”. Acrescentou ainda que é necessário “avaliar o risco de cárie dentária das crianças com quatro e sete anos” e “definir estratégias para, de forma progressiva, tornar possível a reabilitação oral” no Serviço Nacional de Saúde.

A presidente da Federação Dentária Internacional (FDI), Ihsane Ben Yahya, falou da relação da saúde oral com outras doenças e enquanto indicador da qualidade de vida das populações. Alertou para a necessidade de enfatizar a consciencialização dos governos e decisores para a importância desta área da saúde para a felicidade e o bem-estar, através de soluções que promovam a literacia, os cuidados de higiene e a adoção de políticas preventivas dos fatores de risco.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Sales, fez um balanço das políticas em curso, que têm contribuído para o panorama da saúde oral dos portugueses, sobretudo das crianças e jovens, e deixou uma “palavra de incentivo” aos médicos dentistas, que têm sido parceiros no caminho da saúde e da prevenção de doenças.

Na mesa redonda “Saúde Oral e Saúde Geral: Uma prioridade para a legislatura 2022-2026?” foram abordados os desafios e estratégias que podem ser adotados pelo novo governo, que toma posse na próxima semana.
“Comer bem, sorrir melhor”

Durante o evento, a OMD apresentou o projeto de inovação social “Comer bem, sorrir melhor”, que conta com a participação ativa da Ordem dos Nutricionistas e que ao longo de 15 meses vai acompanhar 5 mil alunos, entre os 6 e os 10 anos, da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões (CIMVDL).

O projeto abrange os 22 agrupamentos escolares dos 14 municípios que integram a CIMVDL. Uma carrinha devidamente equipada com médicos dentistas e nutricionistas vai visitar as escolas básicas da CIMVDL e fazer uma avaliação antropométrica dos alunos e da sua saúde oral. Na carrinha seguirá também um animador para realizar atividades lúdicas focadas na boa alimentação e nas melhores práticas de higiene oral. Os médicos dentistas vão analisar o risco de cáries, e se necessário aplicar flúor e selantes, e os nutricionistas vão avaliar a altura, o peso e o perímetro abdominal para detetar o risco de obesidade.

“A Organização Mundial da Saúde estima que 3,5 mil milhões de pessoas sofrem de cáries dentárias. Não é um problema pequeno”, indicou Maria Llanes, membro do Conselho Diretivo da OMD, na apresentação do projeto. Bárbara Beleza, presidente da mesa do Conselho Geral da Ordem dos Nutricionistas, acrescentou que “as escolas são o cenário ideal para o fortalecimento da literacia em saúde”.


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Desafios da medicina dentária

Em entrevista ao JN/ DN, no Dia Mundial da Saúde Oral, o bastonário reiterou os ganhos do investimento em saúde oral e apontou como caminhos a “integração dos médicos dentistas no SNS e a reforma dos cuidados de saúde primários para a saúde oral, onde a criação de unidades de saúde oral tem de ser também formatada”. “Temos também a vertente do cheque-dentista e do programa de saúde oral. E temos uma terceira dimensão que não pode ser descurada, que tem a ver com a preparação e planeamento dos profissionais que estão ligados à saúde oral”, sustentou.

Em mensagem aos médicos dentistas, o responsável mostrou-se confiante quanto ao início de um novo ciclo político, pois considera “estarem reunidas as condições para que sejam finalmente concretizadas algumas promessas do passado e para que o país assuma, de uma vez por todas uma estratégia nacional capaz de acautelar as reais necessidades dos portugueses”.

Ordem dos Médicos Dentistas
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