Na cerimónia de abertura do 28º Congresso da OMD, a 15 de novembro, o secretário de Estado da Saúde, António Sales, confirmou a medida avançada pelo primeiro-Ministro, António Costa. “Vamos apostar no reforço da saúde oral, alargando o cheque-dentista às crianças logo a partir dos dois anos”, anunciou, acrescentando que tal acontecerá “no horizonte temporal da presente legislatura”.

O governante salientou o caminho percorrido e destacou o “importante e indispensável contributo que a OMD tem dado na valorização da saúde oral e dos médicos dentistas”. Enumerou os “105 gabinetes de saúde oral de medicina dentária, em 111 concelhos do país” que levaram cuidados “a mais 150.000 utentes do SNS, tendo sido realizados mais de 335.000 tratamentos”.
Afirmou que há consciência da “importância da estabilidade profissional dos médicos dentistas” e que vão “trabalhar nesse sentido”.

Orlando Monteiro da Silva referiu que as recentes decisões “constituem exemplos de boas políticas públicas, com financiamento público e que muito contribuem para trazer para a órbita da medicina dentária a população que a ela, pelas razões já vistas, não tem o acesso devido”. O bastonário da OMD sustentou que “o aumento do poder de compra da população e a reorientação das prioridades de consumo, o envelhecimento da sociedade, a consciencialização da importância da medicina dentária já mencionada, todos estes fatores, por si só ou em acumulação, franqueiam horizontes estimulantes a todos nós”.
“Identificar esta realidade, através dos estudos da Ordem, é fundamental para todos sabermos onde e como os nossos esforços devem ser investidos”, acrescentou, referindo-se aos resultados do Barómetro da Saúde Oral 2019, divulgados durante o 28º Congresso.
Por fim, recordou que “a promoção do acesso à medicina dentária é uma tarefa de todos, da Ordem com certeza, dos médicos dentistas, mas também do poder político e da sociedade no seu todo”. O bastonário deixou uma mensagem de incentivo ao diálogo: “Vamos falar uns com os outros em vez de falar dos outros. Sempre focados no essencial: em mais qualidade e numa prática eticamente enquadrada”.
A visão de Correia de Campos

O presidente do Conselho Económico e Social, o órgão de excelência da concertação social, onde se juntam Governo, confederações sindicais e patronais, subiu ao palco para deixar algumas notas aos presentes. Na sua intervenção, Correia de Campos apresentou algumas das suas ideias gerais para a medicina dentária e dividiu-as em grupos: políticas públicas de saúde oral, recursos em saúde oral, financiamento da procura em medicina dentária, exercício profissional, formação, autorregulação e sindicato na medicina dentária, diálogo com as faculdades e relacionamento internacional.
Como ideias gerais, o responsável referiu que para “responder à crescente procura, o Estado deve intervir promovendo e incentivando a fixação de jovens profissionais no interior”, em que os municípios têm um papel importante. Salientou que “na periferia das grandes áreas metropolitanas, onde desníveis de utilização se revelam fortemente associados aos baixos rendimentos dos cidadãos, haverá que desenvolver nos centros de saúde serviços de clínica dentária comparticipada no ato pelo utilizador ou suprida no SNS em caso de insuficiência económica”.
Por outro lado, saudou a promessa de alargamento do cheque-dentista às crianças a partir dos dois anos, reiterando que a política pública do cheque-dentista demonstrou resultados positivos na prevenção e tratamento precoce, pelo que “deve ser continuada e ampliada”.
António Correia de Campos: Políticas Públicas de Saúde Oral
António Correia de Campos: Financiamento da procura em medicina dentária
António Correia de Campos: Formação dos médicos dentistas
António Correia de Campos: Autorregulação e Sindicato na medicina dentária
António Correia de Campos: Diálogo com faculdades, Números da Ordem e relacionamento internacional

Também o presidente da FDI destacou o projeto português de inserção de cuidados de saúde oral nos cuidados primários como exemplo daquilo que “devemos aspirar alcançar a nível global para uma cobertura universal de cuidados de saúde oral”. Gerhard Seeberger falou da “oportunidade única” que representa a inclusão desta área na Cobertura Universal de Cuidados de Saúde (UHC) das Nações Unidas. Referindo-se à Ordem como um “dos membros mais valiosos” da FDI, constatou que o congresso é uma plataforma de partilha de conhecimento.
Congresso sustentável

“Não podemos ficar imunes aos desafios da sustentabilidade do planeta”. Foi desta forma que a presidente da Comissão Organizadora explicou os motivos por detrás das medidas desenvolvidas “para que a nossa pegada ambiental seja mais reduzida este ano”. “Uma destas”, afirmou Sofia Arantes e Oliveira, “acabou por se tornar muito mais do que uma medida de sustentabilidade. Falo-vos da aplicação móvel da Formação da Ordem dos médicos dentistas. Espero que esta possa servir no futuro a formação contínua de todos os associados, com todas as funções referentes ao congresso e também ao centro de formação contínua”.
Sofia Arantes e Oliveira falou da sua visão do congresso, encarado como “uma verdadeira experiência imersiva na medicina dentária” e uma “oportunidade para todos os médicos dentistas evoluírem profissionalmente em diferentes campos da formação, seja ela prática ou teórica, tanto científica como socioprofissional”. A responsável não esqueceu a Expodentária e as “possibilidade de networking” que estes dias proporcionam.
A abertura oficial do congresso arrancou com a atuação do fadista Miguel Xavier, acompanhado na guitarra portuguesa por Miguel Amaral, na viola de fado por André Teixeira e no contrabaixo por Filipe Teixeira.
Na sessão estiveram presentes diversas entidades civis, militares, académicas, científicas e internacionais, com destaque para a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, e o presidente do Partido Socialista, Carlos César.



