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Introdução
Os micronúcleos são estruturas nucleares anómalas que se formam nas células em divisão, devido a quebras nos cromossomas ou segregação cromossómica irregular. A sua pesquisa em células orais é minimamente invasiva e bastante promissora na monitorização de populações expostas a agentes genotóxicos e como candidata a biomarcador para patologia oncológica. Importa porém avaliar se aspectos da saúde oral podem induzir a formação de micronúcleos, interferindo com os valores de referência. Dado que a doença periodontal crónica é uma condição inflamatória muito prevalente, que pode originar dano no ADN, é importante caracterizar a frequência de micronúcleos de acordo com o estado periodontal.
Objetivo
Avaliar se existem diferenças na frequência de micronúcleos em células orais, em indivíduos entre os 50-65 anos, com diferentes graus de saúde periodontal, utentes da Clínica da FMDUP. Metodologia. Os 30 participantes, com idades e géneros coincidentes (não fumadores, sem antecedentes pessoais de cancro ou quimio/radioterapia), foram submetidos a um exame periodontal e divididos em dois grupos: controlos(15), com periodonto saudável ou periodontite leve, e casos(15), com periodontite moderada ou grave. Para caracterização da amostra, procedeu-se à contagem dos diferentes tipos celulares por cada mil células orais esfoliadas em todos os participantes, segundo o protocolo de Thomas P. et al.
Resultados
Os nossos resultados indicam um aumento nos níveis basais de micronúcleos de 2,3 vezes em pacientes com periodontite moderada a grave, quando comparados com os controlos (p < 0.001).
Conclusão
A doença periodontal pode condicionar alterações nos níveis basais de micronúcleos.
Implicações clínicas
Estes resultados contribuem para a caracterização deste teste marcador de genotoxicidade candidato a biomarcador para patologia oncológica.