Enxerto ósseo por transporte em doentes com fenda labio-palatina: uma série de casos
póster de Casos clínicos em Ortodontia não candidato a prémio de Anabela Paula, Inês Alexandre Neves Francisco, Margarida Mesquita, Filipa Marques, Madalena Ribeiro, Francisco Vale
Introdução: Introdução: A fenda lábio-palatina (FLP) é uma malformação anatómica congênita com várias co-morbilidades associadas, nomeadamente dificuldades na alimentação, fala e audição, bem como problemas psicossociais. O tratamento gold-standard para o encerramento da fenda palatina é o enxerto ósseo através de osso autólogo com origem na crista ilíaca. Apesar de ser considerado o gold standard, algumas desvantagens como a reabsorção óssea podem aparecer em 40% dos casos após um ano do enxerto ósseo. Essa desvantagem pode aumentar a necessidade de reintervenção. A regeneração de tecidos surge como uma abordagem alternativa inovadora aos enxertos ósseos convencionais em doentes portadores de FLP. No entanto, quando o defeito da fenda apresenta grandes dimensões ou a disponibilidade de tecidos moles circunjacentes é insuficiente, o enxerto ósseo convencional está contra-indicado e pode ser considerada a distração osteogénica por transporte ósseo alveolar. Este procedimento baseia-se na neoformação óssea e formação de tecido mole adjacente após o deslocamento gradual e controlado dos fragmentos ósseos vascularizados. O objetivo deste trabalho é apresentar uma série de casos de fenda palatina em que a distração osteogénica foi realizada.
Descrição do Caso Clínico: Descrição da série de casos: Apresentamos 3 casos clínicos com idades entre 13 e 21 anos, submetidos a cirurgia de distração óssea por transporte para encerramento da fenda palatina. Os distractores intra-orais ósteo-ancorados (KLS Martin®LP) foram colocados distalmente ao 2º prémolar da hemi-arcada da fenda. A aparatologia foi ativada durante 2 semanas (1mm/dia) após o período de latência de 5 dias. O período de contenção foi de 2 a 3 meses e, posteriormente, após a remoção do distrator os doentes foram submetidos a mecanoterapia para encerramento de espaços. A percentagem de encerramento da fenda palatina foi cerca de 55% , e ocorreu o transporte do tecido mucoso nas zonas adjacentes às areas cirúrgicas. Num dos casos ocorreu uma alteração do formato da arcada com uma constrição da hemiarcada sujeita à distração. _x000D_
Discussão: A distração osteogénica é um método que permite a regeneração de novo tecido ósseo/mole com a aplicação gradual de tensão de tração nos fragmentos osteotomizados. Esta série de casos demonstrou que a distração osteogênica é uma técnica confiável e previsível. Por um lado, o ganho ósseo pode chegar a mais de 10 mm sem necessidade de transplante ósseo; e por outro, as co-morbilidades são reduzidas. A qualidade do osso regenerado é equivalente à do osso nativo e compatível com os tratamentos ortodônticos posteriores, e o risco de infecção é extremamente limitado.
Conclusões: Conclusão: A distração osteogênica é uma técnica ortodôntico-cirúrgica ideal para recriar o tecido ausente/perdido na zona estética anterior, como nos casos de fenda palatina.
póster nº Ortodontia, 11/5/2021 ()17h30 às 18h30 no Hall dos Posters
Anabela Paula (Autor apresentador), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Inês Alexandre Neves Francisco (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Margarida Mesquita (Co-autor), Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Filipa Marques (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Madalena Ribeiro (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Francisco Vale (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra