Cirurgia de elevação de seio maxilar com plasma rico em fatores de crescimento: Caso clínico
póster de Casos clínicos em Cirurgia oral não candidato a prémio de Paulo De Araújo, Pedro Teixeira Santos, Lígia Pereira da Silva, Ana Rita Nóbrega, Sandra Gavinha, Patrícia Manarte Monteiro
Introdução: A junção de concentrados plaquetários com o material de enxerto ósseo é comum na prática clínica (1,2). Apesar da falta de consenso da literatura, o uso de plasma rico em fatores de crescimento (PRFC) possibilita a otimização da osteoneogénese e parece estar relacionada com o aumento da vascularização associada à presença de uma concentração ideal de fatores de crescimento na área enxertada, a qual promove aumento da proliferação, migração e quimiotaxia osteoblástica (3). O uso de PRFC em elevações do seio maxilar não aparenta associação a maior taxa de sucesso de implantes dentários. Por outro lado, a morbilidade pós-operatória após o preenchimento do seio maxilar é sugerida como sendo favorável quando se utilizam concentrados plaquetários. Outra vantagem nestes procedimentos cirúrgicos é a maior facilidade na manipulação dos enxertos particulados (4).
Descrição do Caso Clínico: Paciente do género feminino, 45 anos, com edentulismo no primeiro sextante e ausência de reabilitação prévia. Efetuou-se exame clinico oral, radiografia panorâmica e tomografia axial computorizada (TAC). Registou-se limitação quanto à estrutura óssea de suporte, com atrofia maxilar do 1º sextante. Foi proposta à utente a reabilitação oral da região com recurso a prótese parcial removível ou cirurgia de elevação de seio maxilar para posterior reabilitação com prótese fixa implanto-suportada. A utente foi informada das vantagens, limitações, riscos e prognóstico de cada proposta, tendo a mesma decidido pela reabilitação oral implanto-suportada, e assinado o respetivo consentimento informado. Na intervenção de elevação do seio maxilar (Novembro 2019) o acesso cirúrgico foi realizado pela janela de Caldwell-Luc. No preenchimento do seio aplicou-se xenoenxerto bovino (Creos®, Nobel Biocare AB) com PRFC (Endoret® BTI, Biotechnology Institute). A janela foi recoberta com membrana de colagénio reabsorvível (Creos®, Nobel Biocare AB) e de PRFC. Foram prescritos à utente antibioterapia (8 dias), anti-inflamatório esteróide (4 dias), analgésico (se necessário) e fornecidas instruções pós-operatórias e de higienização local. Foi efetuada ortopantomografia 15 dias após a intervenção realizada, no ato de controlo cirúrgico e remoção de sutura cirúrgica. O pós-operatório decorreu sem sintomatologia com prognóstico favorável. Por motivos associados à condição pandémica COVID-19 global, a cirurgia de aplicação de implantes prevista para 6 meses após a elevação de seio maxilar e enxerto local (consulta e ortopantomografia de controlo, Maio 2020), foi adiada a pedido da utente para Setembro 2020. A paciente foi reabilitada com prótese fixa implanto-suportada entre Setembro 2021 e Novembro 2021. Foi efetuado o controlo da reabilitação do 1º sextante em Maio 2021, 18 meses após cirurgia de elevação do seio maxilar. Ilustra-se o procedimento cirúrgico da elevação de seio maxilar do 1º sextante e follow-up da reabilitação oral inicial, aos 15 dias, aos 6 e 18 meses. A paciente manifestou-se muito satisfeita com a reabilitação alcançada.
Conclusões: A evidência científica quanto ao efeito do PRFC em elevações do seio maxilar é ainda pouco consensual. No caso clinico apresentado o prognóstico revelou-se favorável. A análise clínica dos potenciais efeitos do PRFC em regeneração óssea deverá ser mais investigado.
póster nº Cirurgia oral, 11/5/2021 ()11h00 às 12h00 no Hall dos Posters
Paulo De Araújo (Autor apresentador), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Pedro Teixeira Santos (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Lígia Pereira da Silva (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Ana Rita Nóbrega (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Sandra Gavinha (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Patrícia Manarte Monteiro (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa