Estudo de avaliação de Burnout em assistentes de consultórios dentários
póster de Investigação clínica em Medicina dentária preventiva candidato a prémio de Paula Pinheiro, Maria Raquel Silva, José Frias Bulhosa, , ,
Introdução: O Burnout é uma doença profissional de causa multifatorial, associada a profissões que executam tarefas complexas ou com contacto interpessoal direto e descrita através de três dimensões: exaustão emocional (EE), despersonalização (DP) e baixa realização profissional (RP). Em Portugal não foram identificados estudos sobre a prevalência e impacto da síndrome de Burnout em assistentes dentários.
Objetivos: Descrever o nível de Burnout categorizá-lo nas suas dimensões entre assistentes dentários que exercem em Portugal e avaliar a relação entre o síndrome e respetivas variáveis sociodemográficas.
Materiais e Métodos: Foi utilizado o questionário validado para português do Maslach Burnout Inventory (MBI) e outro conjunto de questões para caracterização sociodemográfica que foi aplicado junto de assistentes de consultórios dentários a exercer atividade em Portugal. Foram criadas 3 categorias de Burnout tendo em consideração 3 cut-off’s diferentes (baixo: ≤ 40 pontos; moderado: 41-80 pontos; elevado ≥81 pontos). Posteriormente, com as respostas aos itens do questionário MBI foram analisadas separadamente as dimensões EE, DE e RP. Dentro de cada dimensão foram criadas 3 categorias de caracterização (EE – baixo: 0–20; moderado: 21–30; elevado: superior a 31; DP – baixo: 0–5; moderado: 6–10; elevado: superior a 11; RP – baixo: >42; moderado: 36–41; elevado: inferior a 35). Foi realizada análise estatística quantitativa com recurso ao SPSSv.27 para avaliação de significância estatística entre variáveis em estudo. O nível de significância estabelecido foi de p=0,05.
Resultados: Dos 908 inquiridos, 97,9% pertence ao género feminino, 35,0% são casados e 24,0% vivem em união de facto, existindo diferenças estatisticamente significativas para o género em relação ao estado civil (p=0,021). Cerca de 58,2% dos participantes têm filhos e dentro destes, a maioria tem apenas 1 filho (32,2%), havendo também diferenças estatisticamente significativas entre género (p=0,027). Cerca de 69% da amostra total trabalha entre 9 a 12 horas por dia. Quase 90% dos assistentes dentários inquiridos não considera que o seu salário é adequado. A prevalência de Burnout encontrado entre os participantes foi de 98,4 %, dos quais 72,1% apresenta um nível moderado e 26,3% um nível elevado de Burnout. 44,3% apresentam um nível elevado de “Exaustão”, 19,4% um nível elevado de “Despersonalização” e 40,4% um nível elevado de falta de “Realização Profissional”.
Conclusões: A frequência do síndrome de Burnout entre assistentes dentários em Portugal encontra-se maioritariamente nos níveis moderado e elevado, apresentando impactos negativos muito significativos. Estes impactos são semelhantes ou até mais prevalentes do que já se havia encontrado em outros profissionais de saúde, a nível nacional e internacional. _x000D_
Com estes resultados, torna-se urgente uma reflexão e uma maior monitorização desta atividade profissional pelos serviços de saúde ocupacional. É indispensável o estabelecimento de estratégias preventivas para atenuar estes impactos na saúde e na qualidade de vida dos indivíduos e também, prevenir que a síndrome se desenvolva ou agrave, visando o bem-estar geral dos assistentes de medicina dentária e minimizando riscos para a segurança do paciente ou impactos negativos nas organizações ou clínicas dentárias.
póster nº Medicina dentária preventiva, 11/4/2021 ()10h10 no Sala e-Posters
Paula Pinheiro (Autor apresentador), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
Maria Raquel Silva (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
José Frias Bulhosa (Co-autor), Faculdade de Ciências da Saúde Universidade Fernando Pessoa
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