Reimplante intencional como ponto de partida para uma abordagem multidisciplinar: relato de caso clínico

comunicação oral de Casos clínicos em Endodontia candidata a prémio de João Miguel dos Santos, Joana A. Marques, Margarida Esteves, Vítor Sousa, Paulo Jorge Rocha da Palma, Sérgio Matos

Autores
Não candidato a prémio

Introdução: O reimplante intencional é uma alternativa terapêutica conservadora e económica na abordagem da periodontite apical pós-tratamento, quando a modalidade de retratamento endodôntico não é exequível, falhou ou se associa a riscos que o paciente recusa. A técnica de reimplante intencional tem vindo a ser progressivamente modificada e refinada, envolvendo atualmente métodos de exodontia atraumáticos, a resseção e preparação radicular com recurso a sistemas piezoelétricos, a manipulação extra-oral durante o menor período possível e a obturação com recurso a biomateriais, executadas sob ampliação, permitindo uma taxa de sobrevivência de 88% aos 2 anos. Contudo, existem diversos fatores com impacto significativo no prognóstico. As principais complicações associadas ao reimplante intencional incluem anquilose, reabsorção radicular, expansão da radiotransparência apical, persistência ou intensificação dos sintomas e aumento da profundidade de sondagem.
Descrição do Caso Clínico: Paciente do sexo masculino, 35 anos, saudável, referindo dor à mastigação associada ao dente 37. No exame clínico detetou-se fissura coronária distal e aumento da profundidade de sondagem centro-vestibular (9 mm). A tomografia computadorizada de feixe cónico (CBCT) revelou tratamento endodôntico prévio, associado a extrusão de material endodôntico, instrumento fraturado no terço apical da raiz mesial e lesão periapical extensa. Perante o diagnóstico de periodontite apical pós-tratamento, e após informação do paciente, optou-se pela realização do reimplante intencional. Procedeu-se à exodontia atraumática. A manipulação extra-oral iniciou-se com a inspeção da superfície radicular e remoção do tecido de granulação. Posteriormente procedeu-se à apicectomia (3 mm), seguida de retro-preparação apical ultrassónica e retro-obturação com Biodentine. Os procedimentos extra-orais foram realizados sob ampliação, em 17 minutos. Por fim, foi executada a reimplantação do dente no alvéolo. A lesão periapical removida foi enviada para estudo anatomopatológico. Os controlos pós-operatórios foram realizados aos 7 dias (redução da profundidade de sondagem centro-vestibular para 5 mm) e aos 2 meses. Aos 9 meses constatou-se existência de inflamação periodontal centro-vestibular. Realizou-se desbridamento mecânico com pontas de ultrassons, aplicação tópica de clorhexidina e minociclina, ajuste dos contactos oclusais e prescrição antibiótica. Aos 10 meses, perante a persistência da inflamação periodontal vestibular, procedeu-se a novo desbridamento mecânico, irrigação com clorhexidina, jateamento com glicina e aplicação de clorhexidina e minociclina intrasulcular. Aos 12 meses a profundidade de sondagem era de 3 mm, sem sinais clínicos de inflamação. Aos 20 meses, diagnosticou-se bolsa supurativa mesio-vestibular, tendo-se realizado desbridamento mecânico e jateamento com glicina. Aos 2 anos e meio, o exame radiográfico evidenciou reabsorção radicular extensa. Procedeu-se à exodontia com preservação alveolar com L-PRF. Foram realizadas reavaliações aos 7 dias, 1 mês e 5 meses. Aos 6 meses, realizou-se a cirurgia de colocação de implante (OsseoSpeed EV) e posterior reabilitação protética.
Conclusões: O reimplante intencional representa uma opção terapêutica válida para a abordagem da periodontite apical pós-tratamento. Perante a impossibilidade de realizar o retratamento endodôntico não-cirúrgico ou microcirurgia apical, o reimplante intencional constitui um procedimento único com potencial para permitir a preservação do dente natural e consequente manutenção ou recuperação do nível ósseo, em casos adequadamente selecionados. Em caso de insucesso, a exodontia com preservação alveolar com L-PRF e posterior reabilitação protética constituem um tratamento previsível.

 

comunicação oral nº Endodontia, 11/4/2021 ()10h30 no Auditório D

 

João Miguel dos Santos (Autor apresentador), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

Joana A. Marques (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

Margarida Esteves (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

Vítor Sousa (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

Paulo Jorge Rocha da Palma (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

Sérgio Matos (Co-autor), Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

Congresso da OMD 2021
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