“Cuidar da saúde oral na 3ª idade” foi o mote para a quinta edição das Tertúlias de Medicina Dentária, que reuniu a 16 de junho, na delegação da OMD na Madeira, representantes do governo regional, dos profissionais de saúde e dos cuidadores para uma reflexão conjunta sobre como dar maior qualidade de vida aos idosos.

Catarina Cortez, representante da Região Autónoma da Madeira no Conselho Diretivo da OMD, abriu a sessão com uma análise do setor, apoiando-se nos dados do Barómetro da Saúde Oral. A responsável alertou para a realidade nacional, e na qual a região também se inclui, que mostra uma população com muitas carências em termos de saúde oral. “Uma percentagem elevada não tem a dentição completa, muitos com uma perda de cinco ou mais dentes, e que não têm nada a substituir”, explicou. Além disso, acrescentou, as dificuldades económicas continuam a ser um dos principais entraves apontados para adiar a consulta do médico dentista.

Este foi o mote para o arranque do debate entre os palestrantes e a plateia, composta por profissionais da saúde e diretores/representantes de estruturas residenciais para pessoas idosas.

A diretora regional dos Serviços de Igualdade e Inclusão, Mariana Aragão, interveio nesta sessão, em representação da secretária regional de Inclusão, Trabalho e Juventude, precisamente para expor a realidade da população maior de 65 anos que vive na Madeira. Em suma, referiu, enfrenta-se um cenário de vários idosos institucionalizados, mas sobretudo de pessoas que vivem sozinhas, em áreas isoladas e que são maioritariamente mulheres, com baixos rendimentos, o que impossibilita o recurso aos cuidados de medicina dentária no setor privado.

Embora existam consultas de saúde oral em 11 centros de saúde, Catarina Cortez lembrou que estas não contemplam cuidados mais complexos, como a colocação de próteses ou implantes.

Capacitar cuidadores

Um dos temas centrais do debate foi o papel dos cuidadores, sejam os das unidades para idosos ou os informais, na manutenção de uma boa saúde oral.

A psicóloga Helena Andrade falou sobre o impacto de doenças como a demência ou Alzheimer, que são desafiantes também neste contexto, já que muitos doentes não são capazes de fazer a sua higiene oral sozinhos, nem são colaborantes.

Os médicos dentistas André Gonçalves e Catarina Nepomuceno abordaram a importância da prevenção e dos hábitos para um envelhecimento saudável, especialmente em zonas onde culturalmente perduram hábitos associados a uma má saúde oral, como o tabaco e o álcool.

Já os responsáveis das ERPI alertaram para as dificuldades em reterem os profissionais cuidadores, devido à precariedade da profissão, e que isso tem impacto em várias vertentes, incluindo a formação para a higiene oral dos utentes.

No final da sessão, foi notória a vontade de cooperação entre todos os intervenientes. Inclusive, a representante do governo regional manifestou interesse em desenvolver no futuro um protocolo com a OMD, de forma a serem proporcionados aos cuidadores formações de capacitação para os cuidados e higiene oral.

Esta quinta edição das Tertúlias foi bastante participada, tendo contado ainda com a presença da representante da Ordem dos Psicólogos na Madeira, Ana Paula Alves, do presidente da Associação Garouta do Calhau, Ricardo Silva, da diretora do lar Dilectus – Madeira, Eloísa Pina, e da diretora do Centro Cultural e Desportivo de São José (que tem a valência de centro de dia), Carolina Freitas.

Ordem dos Médicos Dentistas
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