“O sonho comanda a vida.” Foi desta forma que Pedro Freitas, mais conhecido por O Poeta da Cidade, presenteou os quase 200 novos membros da Ordem dos Médicos Dentistas que decidiram assumir um pacto consigo próprios: o Juramento de Honra. E foi com olhar sonhador, sorriso no rosto e orgulho na alma que, juntos, com a família, os colegas de faculdade, os colegas desconhecidos de outros pontos do país, se reuniram em Fátima, no último sábado do mês de maio, para celebrar o fim/início de mais uma etapa.

A cerimónia do Compromisso de Honra da OMD não é apenas um evento de boas-vindas. É, sobretudo, um momento de celebração em família. De um percurso individual, realizado em coletivo. De um ciclo vivido por pais, avós, irmãos, companheiros, e até filhos.

Todos estiveram presentes. Pais e companheiros que colocaram a vida em pausa no dia 30 de maio para celebrarem esta conquista, avós, alguns já com várias limitações, mas que não quiseram perder a oportunidade de ver os “seus doutores”.

É por isto que “o Compromisso de Honra não é apenas uma cerimónia solene”. “É, sobretudo, um pacto convosco próprios. Uma declaração de princípios que, se for vivida com autenticidade, vos acompanhará para sempre”, conforme escreveu Miguel Pavão (ausente da cerimónia por motivos de saúde). Nas palavras dirigidas aos novos colegas, pela voz de Maria João Ponces, vice-presidente do Conselho Diretivo, o bastonário deixou um conselho importante: “ao longo da vossa carreira, vão descobrir que muitos dos valores essenciais à prática da medicina não se encontram nos livros, nem em vídeos, nem em plataformas digitais. São transmitidos de pessoa para pessoa.” Por isso, “sejam o sorriso de quem precisa de cuidado, de atenção e de dignidade”.

Também os representantes das várias regiões no Conselho Diretivo, assim como o presidente do Conselho Deontológico e de Disciplina, João Aquino, e a presidente do Conselho de Jovens Médicos Dentistas, Catarina Duarte, deixaram valores importantes para o futuro.

Este evento simbólico marca uma etapa que agora se encerra para dar lugar a outra. Igualmente exigente e desafiante. O orador convidado desta cerimónia sabe exatamente o que é a exigência, o valor da resiliência. E foi assim que, de forma descontraída, mas também ao estilo coaching, que Tomás Appleton, médico dentista e capitão da seleção nacional de rugby, inspirou os novos colegas: tal como no desporto, “tirem de cada dia alguma coisa para o dia a seguir”.

“O erro é uma constante na vida”, desdramatizou e, por isso, lembrou “como médicos dentistas brilhantes temos que fazer formação, investir e continuar”. “Temos de agarrar as oportunidades e fazê-las valer a pena!”, afirmou, perante uma plateia completamente rendida às suas estórias.

Aproximava-se o momento alto desta cerimónia, o Juramento de Honra do Médico Dentista. Mas antes disso, havia ainda uma surpresa guardada: um vídeo que reflete os rostos dos novos membros no presente, carregados de projetos.

Arranca o vídeo, ato contínuo, erguem-se de imediato os telemóveis, para não perderem o registo do dia em que se tornam protagonistas da sua ordem profissional. Algumas cadeiras atrás, também os familiares e amigos procuram eternizar estes momentos. São quase 600 pessoas, que não se conhecem, mas partilham o orgulho de verem os seus na grande tela.

E assim chegou a hora tão aguardada: em uníssono, como uma orquestra alinhada, dirigida por Maria João Ponces, os presidentes do Conselho Fiscal e Conselho Geral (Luís Forte Martins e Fernando Guerra, respetivamente), quase 200 vozes, de diploma na mão, se comprometeram a dedicar a profissão ao serviço da humanidade. A honrá-la e dignificá-la.

Honrar o legado com o olhar no futuro

Honrar e dignificar são valores que fazem parte do léxico dos médicos dentistas que há décadas se comprometeram com os seus doentes.

Antes da receção aos novos membros, o tempo foi de quem já viveu e teve os mesmos sonhos e projetos. Nem sempre a vida permite a partilha com os colegas que se conheceram nos bancos da faculdade ou em algum momento da caminhada pela medicina dentária. No dia 30 de maio esse tempo voltou a existir.

O almoço organizado pela OMD era de celebração e reconhecimento. E as medalhas criadas especificamente para cada profissional revelavam precisamente essa intenção de homenagem. “Cada medalha que hoje vos é entregue distingue um percurso individual e celebra o mérito de cada colega. É um símbolo do respeito e da gratidão que a profissão vos deve”, ouviu-se na mensagem enviada pelo bastonário Miguel Pavão.

“Mas esta celebração tem também uma dimensão coletiva”. E rapidamente se percebeu isso. Acompanhados pelas famílias, muitos deles chegaram bastante mais cedo, para se reencontrarem, partilharem episódios da vida atual, tirarem selfies, recordarem momentos que viveram juntos.

Eram quase 50. Todos com um ponto em comum: assinalavam 30 ou mais anos de profissão. “Ao estarmos hoje aqui reunidos, recordamos que fazemos parte de uma comunidade profissional, de uma família que encontra na Ordem dos Médicos Dentistas a sua casa comum”, lembra o bastonário. Ao reverem-se no vídeo surpresa, nas imagens de quando se inscreveram na Ordem, foi percetível esse espírito de “família”. Viajaram até um tempo que hoje é das novas gerações e às quais, cada um dos medalhados, deixou um conselho. O futuro agora é deles.

Ordem dos Médicos Dentistas
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