A Ordem dos Médicos Dentistas recebeu esta quarta-feira, 1 de abril, o Fórum Regional Estados Gerais da Bioética, do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV).
Esta iniciativa tem percorrido vários pontos do país, promovendo espaços de reflexão e debate dos desafios bioéticos de várias entidades e representantes da sociedade civil.
Um dos pontos centrais desta sessão foi a integração de um membro da OMD no CNECV, tal como já acontece com outras associações públicas profissionais, de forma a trazer o papel da saúde oral para este fórum. “Parece-me que é algo que a OMD poderá ambicionar”, adiantou o bastonário da Ordem, “porque será um enriquecimento maior para o Conselho e para aquilo que será o feedback para a medicina dentária, já que este setor tem um papel de transformação da sociedade, pelo que estes princípios éticos não se podem perder”.
Miguel Pavão trouxe ainda a reflexão os dilemas éticos que desafiam os valores da profissão, “potenciados pela tecnologia e pela Inteligência Artificial, o que tem feito aumentar a sua complexidade”.
Miguel Ricou, conselheiro do CNECV, adiantou que este encontro tem acima de tudo o objetivo de “ouvir” e a partir daí identificar “caminhos de reflexão” e “ir respondendo áquilo que são as necessidades”. Deixou em aberto a possibilidade de incluir os médicos dentistas nesta estrutura, uma vez que “a saúde oral é uma área muito importante e levanta questões específicas”. “É determinante termos membros que possam trazer mundividência e foi possível perceber quais são as grandes preocupações da OMD e como é que o Conselho pode contribuir para a prossecução dos seus objetivos”, revelou.
Dilemas éticos da medicina dentária
Os desafios éticos e deontológicos do exercício da medicina dentária, assim como da formação dos futuros profissionais, foram temas que mereceram a atenção dos presentes. Com destaque para o impacto da Inteligência Artificial, das múltiplas plataformas digitais e do constante avanço tecnológico, a OMD e o CNECV discutiram os pontos em que os caminhos de ambos se cruzam e onde é possível explorar sinergias e ações conjuntas.
Empenhado em estreitar o relacionamento com o CNECV, Miguel Pavão explicou que os médicos dentistas “têm desafios éticos no seu dia a dia clínico, no âmbito da humanização dos cuidados, dos deveres deontológicos, da comunicação com o doente e os seus conteúdos sensíveis, em que surgem naturalmente constrangimentos éticos”. Outra dimensão abordada foi a evolução do ensino e a construção de uma identidade ética, no âmbito curricular dos profissionais que estão em formação. “Queremos reforçar o papel formativo destes valores, sendo que o CNECV pode ser um orientador nesta e noutras matérias a trabalhar de futuro”, referiu.
Nesta reunião, em representação da Ordem, além do bastonário, participaram os presidentes do Conselho Deontológico e de Disciplina (CDD) e do Conselho Geral, João Aquino e Fernando Guerra, respetivamente, o membro do Conselho de Supervisão, Manuel Fontes de Carvalho, o diretor executivo, Francisco Miranda Rodrigues e Cláudia Galrinho, vogal do CDD.
O CNECV esteve ainda representado pelos conselheiros Carlos Maurício, Maria de Lurdes Martins e Pedro Fevereiro.

