A Ordem dos Médicos Dentistas alerta que, desde 2008, foram emitidos mais de 7,5 milhões de cheques-dentista para crianças e jovens até aos 18 anos, mas só foram usados 5,1 milhões. A informação consta do “Relatório sobre o Cheque-dentista 2025”, que recolheu dados até julho de 2025.
Em declarações à agência de notícias Lusa, Miguel Pavão explica a baixa utilização dos cheques associada ao facto de, embora serem emitidos, a população não acede a eles, “em grande parte por displicência e desconhecimento dos médicos de família e das escolas que não têm mecanismos verdadeiramente ativos para promover o programa”. Um facto corroborado pelo estudo, no qual 11,5% dos inquiridos disse não saber como obter ou utilizar o cheque-dentista.
A este respeito, o bastonário salienta que o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral terminou em dezembro de 2025 e ainda não foi apresentado um novo, criticando a inação do governo no que concerne a saúde oral da população.
“Este ministério da Saúde vai lidando com os assuntos numa estratégia mediática”, refere, enfatizando que a divulgação do novo PNPSO estava prevista para o próximo dia 19, no entanto, a secretária de Estado já informou que tal não vai acontecer. “Não se tem sentido por parte do governo ação e está longe de ter uma visão reformista”, frisa.
De igual forma, o estudo nacional das prevalências das doenças orais, que não se realiza há mais de uma década, continua na gaveta. “Como vão desenhar uma nova política se o estudo que deveria consubstanciar as necessidades e orientar o programa não é feito?”, questiona Miguel Pavão. Esta tem sido, aliás, uma das questões abordadas pela OMD nas reuniões com as entidades do setor, mais recentemente na última audiência com a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado.
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