A sessão “Ecossistema da Medicina Dentária – setor público, privado e social: oportunidades e desafios”, que integrou o painel Na Ordem do Dia, realizou-se no último dia do 34º Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, no Espaço Innovation Box.

O painel abordou os desafios e oportunidades do ecossistema da medicina dentária, focando-se na forma como os setores público, privado e social podem colaborar para garantir um acesso mais eficiente, equitativo e sustentável aos cuidados de saúde oral.

A questão da sustentabilidade foi o tema central, com Gonçalo Seguro Dias, diretor clínico GSD Dental Clinics, a salientar que o grande desafio é democratizar o acesso à inovação tecnológica sem criar ainda mais desigualdades. O modelo atual de financiamento público, como o cheque-dentista, foi considerado “extraordinariamente redutor”, porque incide no ato curativo e não investe na prevenção ou no resultado clínico.

De igual modo, a discussão abordou a reorganização e o acesso aos cuidados. Segundo o painel, a solução passa pela reestruturação dos serviços em rede e pela complementaridade entre os setores, criando estruturas que otimizem os recursos e façam a prevenção de forma mais eficaz.

“Temos de abandonar um bocadinho a ideia de ter um médico dentista em todos os centros de saúde. Isso não é possível”, considerou André Brandão de Almeida, vogal da Mesa e administrador executivo com o pelouro da saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

A viabilidade desta reorganização enfrenta, no entanto, um obstáculo significativo: a fraca maturidade digital do sistema público. A digitalização do sistema é um passo crucial para harmonizar os cuidados, permitir a monitorização e, sobretudo, para superar a inoperabilidade entre os diferentes registos clínicos.

A questão dos recursos humanos e da liderança também foi discutida. Para os oradores, a evolução do setor depende da correção das deficiências estruturais do setor público, que causam precariedade e instabilidade. A articulação e o avanço dependem, acima de tudo, da vontade política para implementar as mudanças necessárias.

“Para permitir que as Unidades Locais de Saúde (ULS) contratem profissionais para os seus serviços de saúde oral, é absolutamente necessária a criação de uma carreira especial de medicina dentária, resolvendo assim o vazio jurídico atualmente existente”, considerou Cláudia Cenicante, médica dentista na Unidade de Saúde Oral de Aveiro.

Assista ao vídeo da sessão “Na Ordem do Dia” do 34º Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, que decorreu na Exponor de 6 a 8 de novembro de 2025.







Ordem dos Médicos Dentistas
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