O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas visitou a Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste no passado dia 8 de outubro, com o intuito de conhecer a realidade e os desafios da medicina dentária em Trás-os-Montes.
Em Mirandela, Miguel Pavão foi recebido pela Diretora Clínica dos Cuidados de Saúde Primários da ULS Nordeste, Filipa Faria, e pela Coordenadora da Unidade de Medicina Dentária, Susana Silva, assim como por toda a restante equipa de médicos dentistas.
Durante a visita, o bastonário conheceu o gabinete de medicina dentária do Centro de Saúde de Mirandela e, de seguida, a Unidade Hospitalar de Mirandela, onde “ouviu a voz e os testemunhos” destes profissionais e debateu as formas de “colmatar as dificuldades” que persistem no setor público.
Ausência da carreira
A ausência da carreira especial de medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi identificada como o ponto principal das dificuldades e o maior obstáculo à fixação de profissionais no interior. Atualmente, a ULS Nordeste conta apenas com cinco médicas dentistas para um total de quinze consultórios de medicina dentária no distrito de Bragança. Esta escassez obriga os profissionais a grandes deslocações para garantir a cobertura dos cuidados de saúde oral na região.
Miguel Pavão considerou que esta realidade é agravada pela menor “atratividade que o interior padece” e, por isso, sublinhou que a solução exige um “enquadramento jurídico que possa dar resposta à necessidade da criação da carreira e da fixação das populações”.
Filipa Faria reforçou que estes profissionais “lutam há muito pelo reconhecimento da sua profissão”, e que a ULS está “alinhada para que “sejam vistos como profissionais de referência e fundamentais para o desenvolvimento do Serviço Nacional de Saúde”.

Demografia
A par da questão da carreira, a ULS Nordeste enfrenta obstáculos de demografia na prestação de cuidados de saúde oral. A população é “muito envelhecida”, o que, segundo Susana Silva, se traduz em “alguma dificuldade de deslocação” para as consultas, que estão centralizadas nos centros de saúde. Filipa Faria classificou esta situação como um “desafio acrescido” devido à dispersão geográfica e à menor mobilidade dos utentes.
A especificidade desta população idosa, com a presença de doenças crónicas e comorbilidades, foi também destacada pelo bastonário da OMD. Miguel Pavão salientou que esta realidade exige uma “necessidade de formação adicional e direcionada a este grupo-alvo”. E neste contexto, os médicos dentistas apresentam um trabalho que vai além da saúde, funcionando como um “fator de inclusão social e de humanização” nas comunidades.
Para mitigar as dificuldades, a equipa de medicina dentária organiza projetos focados na prevenção e existe uma interligação com as Unidades de Cuidados na Comunidade. Estas parcerias permitem, explicou Susana Silva, realizar “palestras com idosos e também com crianças, assim como desenvolver projetos específicos, como o da aplicação de verniz de flúor, ou outros mais direcionados para doentes de risco, como os diabéticos”.
Outra das dificuldades que se verificam é a necessidade de um sistema informático adequado à especialidade.