O Eurostat divulgou um estudo sobre os cuidados de medicina dentária na União Europeia, que coloca Portugal em quarto lugar no que concerne as necessidades não satisfeitas por motivos económicos.
Em termos concretos, mais de 15% dos portugueses não conseguem aceder a estes cuidados, valor que dispara para os 32,5% quando se trata da população em risco de pobreza.
Em declarações ao Jornal Público, o bastonário da OMD reitera que é “preciso mostrar que não foi feito o investimento que deveria ter sido feito na saúde oral” e enfatiza o facto de estarmos perante um cenário que aponta como principal causa as questões financeiras e não a falta de profissionais. Até porque, salienta Miguel Pavão, o país depara-se com um excesso de médicos dentistas, que exercem “até em sítios onde nem existem farmácias”.

Urge reforçar orçamento
O bastonário considera urgente reforçar o orçamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nesta área. “Durante anos, a saúde oral foi negligenciada. Hoje é bandeira eleitoral, os partidos e os governos posicionam-se nos seus cadernos eleitorais, mas depois não passam à ação”, nota.
“Não é admissível que nos últimos cinco anos, através também do financiamento do PRR, se tenham criado condições de se lançar novos gabinetes de medicina dentária e esses gabinetes estarem vazios e a não funcionar”, acrescenta, em declarações à RTP, sobre o SNS. Daí, a necessidade de acordos entre os setores público, privado e social.
Aponta ainda o privado como “uma porta aberta”, desde que, sublinha, “existam programas devidamente cofinanciados, através do cheque-dentista e de outros mecanismos para dar essa resposta”. Segundo o responsável, o problema reside na falta de “mecanismos de comparticipação, de financiamento para que os portugueses possam aceder a esta consulta”.
Recorde-se que o Orçamento de Estado para o setor não ultrapassa os 20 milhões de euros, embora exista a pretensão do governo em arrancar com um “novo programa do PNPSO com a inclusão de uma nova modalidade de cheque-dentista: a criação de um boletim individual de saúde oral para monitorizar a evolução das doenças orais na população”.
O bastonário defende que o investimento na saúde oral deve ser visto não apenas pela vertente da saúde, mas também pela “vertente da inclusão social e pelo combate à pobreza”, defendendo a participação do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.