A Associação para o Ensino de Medicina Dentária na Europa (ADEE) realizou o plenário anual entre 20 e 22 de agosto, em Dublin, no qual a Ordem dos Médicos Dentistas esteve representada pela vice-presidente do Conselho Diretivo, Maria João Ponces.
Nesta reunião, em que se assinalaram os 50 anos da ADEE, o tema central dos trabalhos foi a mudança do paradigma do ensino. Os profissionais presentes debateram caminhos e linhas de ação para adaptar a formação dos futuros profissionais de saúde oral às exigências do século XXI e à estratégia adotada pela Organização Mundial de Saúde (OMS): foco na prevenção da doença e promoção da saúde.
Na sessão de abertura, Richard G Watt, diretor de investigação, desenvolvimento e inovação do Central North West London NHS Foundation Trust, foi o orador convidado, que partilhou com os seus pares as ideias da Comissão Lancet. Sob o mote “repensar a educação dos profissionais de saúde oral”, o professor promoveu a reflexão sobre o impacto do mundo atual na formação destes estudantes e a necessidade de adotar abordagens direcionadas para cada fase de ensino.
Eixos prioritários
A Comissão Lancet identificou quatro prioridades principais: governança e defesa da saúde oral global; equidade, justiça social e saúde oral; reforma, governação e transformação do sistema de saúde; e determinantes comerciais.
Richard G Watt realçou que existem 3,7 mil milhões de pessoas afetadas pelas doenças orais e é entre os grupos mais vulneráveis e socialmente excluídos, que se encontram o maior número de necessidades não satisfeitas, fruto das limitações dos sistemas de saúde oral.
O professor, na sessão plenária, sublinhou a necessidade de agir e se alcançar uma coligação global para a saúde oral. Sendo este um tempo desafiante para a saúde oral e o ensino e formação destes profissionais, Richard G Watt apontou como topo das prioridades a ampla mudança dos sistemas de prestação destes cuidados, a advocacy pela mudança e a criação de oportunidades de reforma dos currículos. E a propósito dos planos curriculares, enumerou áreas que devem ser impulsionadas, nomeadamente a prevenção e promoção da saúde, a abordagem baseada nas necessidades da população e de ação na comunidade, o fortalecimento dos cuidados primários, o exercício profissional focado na inclusão, diversidade e igualdade, e a criação de oportunidades de desenvolvimento da componente de investigação, desde o ensino pré ao pós grado.
Equipas multidisciplinares e sustentabilidade
Na sessão plenária sobre o papel do médico dentista nas equipas multidisciplinares de saúde, os oradores convidados trouxeram o seu aporte sobre como os estudantes devem ser preparados para integrar esta estrutura.
A educação interprofissional (IPE) esteve em destaque, tendo sido apresentadas ideias para a capacitação dos estudantes para fazerem parte das equipas multidisciplinares de cuidados de saúde, conferindo-lhes ferramentas e conhecimento para a compreensão da abordagem holística do paciente.
Já no dia de encerramento da reunião da ADEE, a sustentabilidade em medicina dentária concentrou as atenções dos presentes. Brett Duane, do Dublin Dental University Hospital, e que vai estar presente no 34º Congresso da OMD, moderou este painel, no qual se debateu o papel das práticas sustentáveis nos hospitais universitários. Discutiu-se a pegada de carbono destas unidades e como é possível incorporar estratégias e desenvolver projetos sobre este tema durante a formação universitária.
Os membros da ADEE voltam a reunir-se em 2026, em Budapeste.