O Conselho de Dentistas Europeus (CED) adotou seis novas recomendações durante a última assembleia-geral, realizada nos dias 23 e 24 de maio, em Gdansk, na Polónia. Estes documentos atualizam e reforçam a posição do setor em áreas-chave como a inteligência artificial (IA), resistência antimicrobiana, consumo de açúcar e tabaco, dispositivos médicos e prática clínica em países terceiros.
Miguel Pavão, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, participou na reunião enquanto membro da direção do CED. Maria João Ponces, vice-presidente do Conselho Diretivo da OMD, também esteve presente.
Durante a assembleia-geral, Andreas Rainer Jordan, diretor de investigação do Instituto Alemão de Médicos Dentistas e professor na Universidade de Witten/Herdecke, apresentou as principais conclusões da 6ª edição do estudo sobre saúde na Alemanha, que analisou, entre outros dados, o estado de saúde oral neste país, o comportamento da população em matéria de higiene oral e a prevalência de cáries.

De referir que a European Dental Students’ Association (EDSA) também participou nos trabalhos, através do vice-presidente de Internal Affairs, Filip Galo, que por sua vez mostrou um estudo que comprova as diferenças significativas ao nível do ensino de medicina dentária nos diversos países europeus.
Consulte o documento “Updated CED Resolution on Artificial Intelligence in Dentistry” (pdf).
Esta resolução foi atualizada com a inclusão de novas recomendações e informações face aos avanços da inteligência artificial nos últimos anos. O documento contém, agora, disposições sobre o papel dos médicos dentistas que trabalham com IA, bem como referências às principais atualizações legislativas. Esta declaração recebeu contribuições da EDSA.
O statement enfatiza o risco de escassez de dispositivos médicos comprovadamente seguros, assim como a necessidade de rever os prazos de recertificação.
A atualização diz respeito à situação atual do consumo de tabaco, à prevalência de doenças orais e aos avanços tecnológicos da indústria. O documento apela ainda a uma revisão da legislação no quadro da União Europeia e aborda o papel dos médicos dentistas na deteção e diagnóstico do cancro oral e de doenças relacionadas com o consumo de tabaco.
A declaração aborda a sobreprodução de açúcar, a sua importação e consumo na Europa. Por outro lado, detalha os fatores de risco, o peso socioeconómico do consumo de açúcar e as estratégias de promoção da saúde oral, com foco na intervenção dos médicos dentistas.
O CED reconhece que a resistência antimicrobiana é considerada uma das maiores ameaças globais à saúde pública, com reflexo nos vários domínios da medicina. Por isso, a declaração sublinha a importância de uma resposta baseada no conceito de “One Health” (Uma só Saúde).
Consulte o documento “CED Statement on Quality of Dentistry across Borders” (pdf).
Esta declaração reflete alguns dos desafios e preocupações a nível europeu, especificamente em relação aos médicos dentistas de países terceiros em questões como o conhecimento linguístico, ética profissional e familiaridade com o sistema de saúde do país onde exercem prática clínica.
