A ministra da Juventude e Modernização, Margarida Balseiro Lopes, reuniu com vários jovens médicos dentistas que estão a trabalhar no estrangeiro para debater o fenómeno de “brain drain”, com destaque para as estratégias, algumas delas já concretizadas pelo Governo, que visam a retenção de talento.
A conversa juntou profissionais que exercem em França, Inglaterra, Suíça ou Países Baixos e permitiu à governante conhecer a realidade de cada um, assim como as motivações para emigrar, justificadas pela ausência da carreira no Serviço Nacional de Saúde, saturação do mercado, vínculos laborais precários e desvalorização profissional.
Margarida Balseiro Lopes reconheceu que estes argumentos são “transversais” a muitos jovens qualificados que deixam o país e, por isso, elencou as políticas integradas do Governo para a retenção de talento, nomeadamente a isenção do pagamento de impostos na compra de casa para jovens até 35 anos, o alargamento do IRS Jovem ou o Programa Regressar, que inclui um regime fiscal mais favorável para quem pretende voltar.
“Portugal não tem sido propício à permanência de jovens e por isso é que o Governo tomou, para já, estas medidas. Certamente haverá outras e isso gera a crítica de que estamos a privilegiar as gerações mais novas. Mas o custo de perder a geração mais qualificada de sempre é incomparavelmente superior ao custo das medidas individualmente consideradas”, considerou a governante.
Questionada sobre estas políticas, a ministra da Juventude e Modernização explicou que “muitas têm o objetivo de, em primeiro lugar, evitar que os jovens deixem o país, até porque é mais fácil evitar a saída de um jovem do que propriamente fazer com que ele regresse”.
Nesse sentido, Margarida Balseiro Lopes deixou em aberto o reforço destas estratégias. “Quanto mais arrojados forem esses incentivos, mais provável é sermos bem-sucedidos nesta tarefa de procurar atrair portugueses. Há uma mudança de mentalidade e da economia. E é por isso que é tão importante que estas novas gerações, onde vocês estão incluídos e estão incluídas as gerações mais novas, possam de alguma forma fazer parte deste mercado de trabalho, porque vêm com uma nova mentalidade que também faz parte do nosso tecido empresarial”, justificou.
Acesso à saúde oral é prioritário
No âmbito da saúde oral, a governante revelou “que há uma filosofia clara do Governo, que é garantir o acesso”, sem especificar se será com recurso a parcerias público-privadas ou através da criação da carreira de medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde, conforme sugerido pelos médicos dentistas presentes na reunião.
“Independentemente de o acesso ser feito num edifício que é propriedade do Estado ou numa clínica que é propriedade de outrem, é nossa obrigação assegurar o acesso”, começou por sublinhar Margarida Balseiro Lopes.
“É importante valorizar a medicina dentária para que ela possa ser reconhecida pelas pessoas como uma necessidade e não como um luxo. Para isso, temos de garantir que as pessoas têm condições para aceder às consultas, o que infelizmente não tem acontecido. Sem prejuízo de fazermos essas parcerias, também terá de haver um reforço de profissionais no SNS”, considerou, a fechar.
Na reunião participou Miguel Pavão, que elogiou a iniciativa. “Envolver os jovens é falar com as pessoas certas porque eles são o futuro”, referiu o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, sublinhando que estas reuniões, para lá de darem a conhecer realidade de muitos profissionais, são também um meio de “advocacy e reforço das políticas públicas”.
Miguel Pavão salvaguardou ainda a “proximidade” demonstrada pelo Governo e espera que as preocupações dos médicos dentistas cheguem, agora, às esferas de decisão, nomeadamente à “ministra da Saúde, ao ministro da Educação, Ciência e Inovação e ao Primeiro-Ministro”.
O bastonário deixou ainda uma mensagem de perseverança aos presentes. “Os médicos dentistas partilham um problema transversal a toda uma nova geração. Muitas vezes não querem virar as costas ao país, mas não têm outra solução. Contudo, diria que nenhum de nós se sente vencido e acho que estamos todos bem conscientes de que também temos um papel individual e iniciativa para invertermos estas tendências e desigualdades”.
Recorde-se que a intenção de conhecer os jovens médicos dentistas que exercem fora do país surgiu após Miguel Pavão e o representante do Conselho de Jovens Médicos Dentistas, Tiago do Nascimento Borges, terem apresentado as conclusões do Estudo aos Jovens Médicos Dentistas, assim como várias propostas de medidas que possam inverter o atual panorama profissional da saúde portuguesa, durante uma audiência com Margarida Balseiro Lopes, a 7 de janeiro.