A Ordem dos Médicos Dentistas esteve reunida com a ministra da Juventude e Modernização, Margarida Balseiro Lopes, a 7 de janeiro, para apresentar a realidade profissional dos jovens médicos dentistas e refletir sobre a necessidade de criar mecanismos capazes de dar resposta às dificuldades que os profissionais da área da saúde enfrentam.
Na agenda dos trabalhos estiveram três dossiers que, na visão da OMD, merecem atenção urgente: formação, precariedade e subemprego, emigração.
Miguel Pavão, bastonário da OMD, e Tiago do Nascimento Borges, membro suplente do Conselho Diretivo (CD) e representante do Conselho de Jovens Médicos Dentistas (CJMD) da OMD no CD, traçaram o retrato de uma profissão que, no final de 2023, tinha perdido um número recorde de profissionais, que optaram por emigrar.
O bastonário evidenciou algumas das conclusões do Estudo aos Jovens Médicos Dentistas, que foi partilhado com a ministra, alertando para o facto de a “medicina dentária ser uma profissão marcada pelo excesso de médicos dentistas que encontram um mercado de trabalho saturado, em que não existem perspetivas de conseguir uma situação laboral estável”. “A emigração”, notou, “é o caminho inevitável, o que acarreta enormes perdas para a profissão e para o país, pois estão a formar e a perder profissionais altamente qualificados”.
Tiago do Nascimento Borges realçou que responderam ao inquérito da OMD “mais de metade dos jovens médicos dentistas, o que demonstra o envolvimento e a vontade da classe em participar no debate de soluções e na definição de estratégias que criem condições para que estes profissionais permaneçam no país”.
O representante do CJMD alertou ainda para o facto de que “dos jovens emigrados, quase 40% indicaram no inquérito que não pretendem voltar a exercer a profissão em Portugal”. “Acresce o facto de mais de metade dos inquiridos revelarem que não voltariam a escolher a profissão ou pretendem complementar com outra área”, prosseguiu.
A estes dados, Tiago do Nascimento Borges acrescentou o facto de estes problemas serem partilhados de forma transversal entre todas as profissões da saúde e partilhou alguns dos pontos que têm vindo a ser trabalhados pela Plataforma de Jovens Profissionais de Saúde, da qual a OMD faz parte.
“São dados alarmantes e que terão um grande impacto a longo prazo, pelo que necessitam de uma intervenção urgente”, transmitiu à ministra. E, nesse contexto, mencionou o lançamento do Barómetro realizado por esta plataforma, que tem o propósito de “aferir junto dos jovens algumas das soluções para a co-construção do futuro da saúde e da juventude, em Portugal”, e que serão discutidas e apresentadas na Convenção Nacional de Jovens Profissionais de Saúde, agendada para 5 de abril.
Face ao cenário que a profissão vive, a OMD propôs a Margarida Balseiro Lopes algumas linhas de ação, que considera serem pontos de partida para trabalharem em conjunto. Miguel Pavão sugeriu que a criação da carreira de medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde será, desde logo, uma medida essencial para “tornar o setor público atrativo para os jovens profissionais”. O bastonário sugeriu ainda a articulação entre os vários ministérios no sentido de estruturarem um “planeamento de recursos humanos na saúde a nível nacional, que contemple a adequação entre as necessidades, presentes e futuras, do setor e a formação de novos profissionais, de forma a ser possível inverter a emigração de jovens altamente qualificados”.
Tiago do Nascimento Borges abordou também a possibilidade de serem reforçados “os incentivos à mobilidade geográfica do mercado de trabalho na área da saúde, promovendo a integração e motivação dos jovens profissionais nas regiões do país onde a proporção destes por habitantes é manifestamente insuficiente”. Como medida transversal aos jovens deste setor, sugeriu a criação de apoios à formação e especialização, “mediante a majoração fiscal de despesas com a sua formação acreditada”.
Margarida Balseiro Lopes mostrou-se atenta às dificuldades sentidas por estes profissionais e reconheceu que o fenómeno “Brain Drain” é preocupante e que tem impacto na sociedade a múltiplos níveis. A ministra da Juventude e Modernização mostrou-se bastante disponível para trabalhar em conjunto com a OMD na definição de medidas direcionadas para os jovens profissionais de saúde, estando empenhada em colmatar os desafios que estes enfrentam.