A edição 61 da Revista OMD dá destaque ao estudo Os Números da Ordem, que mais uma vez retrata um cenário preocupante e de desvalorização da profissão. Segundo este documento, o número de médicos dentistas com inscrição suspensa há mais de 5 anos aumentou 7,6% em 2023, atingindo a 31 de dezembro do ano passado o valor mais elevado de sempre – 1339.
Esta é uma das grandes conclusões deste estudo, que reúne os números, as estimativas e as tendências no âmbito da medicina dentária.
“Somos o segundo país que forma mais médicos dentistas na União Europeia, o que faz com que os jovens não tenham opção para além de emigrar”, constata Miguel Pavão. “Portugal formou e perdeu estes profissionais”, sublinha também o bastonário, isto porque após este período de cinco anos existe uma elevada probabilidade de estes profissionais não regressarem ao país.
No final de 2023 existiam 2312 profissionais com inscrição suspensa, o que representa o segundo maior aumento num só ano (235), desde que há registos. O recorde de 258 (14,2) foi em 2022.
Refira-se que mais de metade (54,5) das 2312 inscrições suspensas tiveram como objetivo trabalhar no estrangeiro, o que leva Miguel Pavão a pedir uma “estratégia nacional capaz de inverter estes números”, nomeadamente ao nível da formação.
Os Números da Ordem evidenciam que Portugal já está hoje longe do rácio da Organização Mundial de Saúde (OMD) – 1MD/796 pessoas, quando a OMS recomenda um rácio de 1 MD/1500-2000 habitantes -, sendo que as projeções para os próximos anos apontam para uma deterioração maior em virtude do crescimento do número de membros ativos.
Aceda à versão digital da Revista da Ordem dos Médicos Dentistas nº 61.
Em complemento, consulte a Revista OMD nº 61 em pdf.
Nesta edição, destaque ainda para a reunião entre a OMD e a ministra da Saúde que teve como eixo principal o programa de saúde oral prometido pela governante. Nesta audição com Ana Paula Martins e também a Capitão-Tenente do gabinete do Ministério da Saúde, Lara Martins, estiveram presentes Miguel Pavão, bastonário, Nuno Ventura, representante da Região Sul no Conselho Diretivo (CD) da OMD, e Joana Morais Ribeiro, representante da Região Norte no CD.
Perante a ausência de qualquer menção à saúde oral no Orçamento de Estado, e inclusive a sua exclusão do plano de emergência para o setor, a OMD levou para esta reunião um objetivo claro: o novo Programa Nacional de Saúde Oral, que a ministra prometeu apresentar até final do ano, assim como um documento com 13 eixos de ação para a medicina dentária.
Ana Paula Martins referiu que este programa dará prioridade a parcerias com o setor privado, bem como a revitalização do programa PIPCO e a criação de outros que promovam a saúde oral.
Nesta matéria, refira-se que Miguel Pavão esteve igualmente reunido com o Grupo Parlamentar do PS.
Ao longo da revista, leia também a entrevista a Guilherme Figueiredo, presidente do Conselho de Supervisão da Ordem, que fala deste novo desafio e de uma nova realidade que passa pela maior abertura das ordens profissionais à sociedade civil.
Ainda em relação à OMD, conheça os planos de Catarina Cortez para o Centro de Formação Contínua (CFC), ela que foi eleita presidente recentemente, assim como os eixos de António Duarte Mata, reconduzido como presidente da Comissão Científica, para um novo mandato neste órgão consultivo.
No Conselho Geral, Fernando Guerra fala de mais um capítulo à frente do Conselho Geral.
A finalizar, descubra o projeto Silent Book Club Porto através de Margarida Silva e Iris Scherer, que desde janeiro dinamizam este espaço que promove a leitura na cidade Invicta.