O 33º Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas decorreu na Feira Internacional de Lisboa, entre 21 e 23 de novembro, e voltou a afirmar-se como o momento de reunião da classe e de atualização científica.
A cerimónia de abertura da edição de 2024 destacou-se por um momento inédito, em que foi recriado um espaço de comentário, protagonizado pelo político, membro do Conselho de Estado e comentador Luís Marques Mendes e pelo jornalista Pedro Benevides.


Marques Mendes deixou uma mensagem positiva, realçando que o tempo “que vivemos é justamente, não de cruzar os braços, mas de arregaçar as mangas, não é de resignação, é de ambição”.
“A saúde oral ganhou uma importância capital nos últimos anos”, notou e destacou que a atenção e o reconhecimento dos ganhos “inestimáveis” para a saúde são uma realidade que não se verificava há 30 anos.
O comentador político lembrou que a saúde oral tem que chegar também ao SNS e, para tal, tem que “haver capacidade de criar de facto a carreira respetiva dentro do SNS”. “Não pode deixar de ser uma prioridade”, frisou.
Assista ao vídeo da cerimónia de abertura do congressso:
Quanto aos médicos dentistas, lembrou que se tratam de uma classe jovem e com energia, fatores importantes para ajudar ao rejuvenescimento do país. “E nós bem precisamos disso”, constatou. Nesse contexto, também a emigração foi tema desta conversa, um problema que é transversal a todos os setores e que não é de fácil resolução.
Para Marques Mendes, o calcanhar de Aquiles da economia portuguesa está na produtividade. A massificação do litoral versus a desertificação do interior são outro problema, para o qual Marques Mendes anunciou, nesta cerimónia, que no primeiro trimestre do próximo ano o governo vai aprovar a criação de incentivos a médicos (e incluirá este setor) que estejam disponíveis para se encaminharem para territórios de baixa densidade.



Congresso de grande vitalidade
O bastonário da OMD aproveitou o momento de reunião da classe para, dirigindo-se a Carlos César, medalha de Ouro da OMD e membro do Conselho de Estado, saudar a proposta do Partido Socialista, apresentada a 21 de novembro, que “recomenda a criação da carreira de médico dentista nas entidades públicas empresariais integradas no Serviço Nacional de Saúde”. E mostrou-se expectante quanto à sua votação em plenário da Assembleia da República.
Miguel Pavão referiu que a saúde oral continua a ser a área da saúde mais negligenciada, “quer pela falta de investimento, quer pela falta de atenção política”. “Recordo que a fatia orçamental dedicada à saúde oral não chega sequer aos 20 milhões de euros num orçamento que pela primeira vez atinge quase 17 mil milhões de euros”, indicou.
O responsável acrescentou que a classe continua a aguardar a homologação das novas especialidades, a regulamentação do regime jurídico da proteção radiológica, nomeadamente o adiamento da data limite para formação, bem como a apresentação do plano prioritário de saúde oral que consta do atual programa do governo.

A esse propósito, referiu que a OMD tem estado a trabalhar com o ministério, que tem na sua posse um caderno de encargos, apresentado pela Ordem e que elenca os pontos prioritários. Aliás, estes temas foram mencionados pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que, na impossibilidade de estar presente, enviou uma mensagem aos médicos dentistas, em que aponta estes três dossiers como prioridades definidas para a saúde oral.
Orlando Martins destacou no seu discurso a adesão da classe ao evento, o que demonstra a “vitalidade do congresso e do nosso compromisso com a excelência”. O presidente da Comissão Organizadora evidenciou o culminar de um ano de trabalho, que permitiu alcançar um “espaço de inovação, sustentabilidade e criatividade, refletindo a evolução constante da nossa profissão e da sociedade”.
O presidente da Comissão Científica explicou a génese do tema desta edição – “o paciente no centro da medicina dentária” -, que continua alinhado com as orientações da Organização Mundial da Saúde. “Enquanto clínicos somos animados pelas possibilidades da IA e da construção do paciente digital”, afirmou António Duarte Mata, explicando que muitas vezes “diagnosticamos patologias e planeamos tratamentos” sobre um paciente que “não está sequer à nossa frente”. Por isso, “escolhemos o paciente no centro da decisão clínica como tema deste congresso”, concluiu.













Presidente da Assembleia da República visita congresso
José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República de Portugal, marcou presença no primeiro dia do 33º Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas e ficou a conhecer em pormenor a organização e dinâmica do evento.
Durante a visita à FIL, o responsável sublinhou a dimensão do congresso e a importância da saúde oral, razão pela qual considerou a necessidade de “haver uma estratégia e consensos políticos nesta área”.



“Na direção política, era bom ter essa estratégia e consensos para perceber que a saúde oral é muito importante paras pessoas, nomeadamente na área da prevenção e intervenção precoce. Isso seria seguramente bom para o bem-estar de todos os portugueses e era bom o poder político tirar esse tipo de ensinamentos”, referiu José Pedro Aguiar-Branco.
Já Miguel Pavão, bastonário da OMD, vincou que a presença do presidente da Assembleia da República é sinal do “trabalho de sensibilização e consciencialização” que tem sido feito pela Ordem em relação ao poder político.
Também o Diretor Executivo do Serviço Nacional de Saúde, António Gandra d’Almeida passou pelo congresso para contactar diretamente com os médicos dentistas e conhecer melhor a dinâmica deste setor.


