Atendendo às recentes declarações concedidas por mim a um canal aberto televisivo, no passado dia 16 de outubro, relacionadas com o lançamento do estudo Os Números da Ordem 2024, entendo ser necessário fazer o seguinte esclarecimento:
No decurso da edição dos excertos televisivos transmitidos, existiu uma descontextualização entre o que foi dito e aquilo que foi destacado em nota de rodapé, levando a uma extrapolação indevida.
Face ao número excessivo de médicos dentistas em Portugal, a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) assume a sua preocupação e empenho em encontrar estratégias para inverter uma realidade que, nos últimos anos, tem contribuído para a precariedade da situação laboral, principalmente entre os mais jovens, ou para a crescente vaga de emigração, como revela o documento em apreço.
Apesar de, hipoteticamente, o encerramento de instituições de ensino superior, públicas ou privadas, poder contribuir para uma melhoria deste cenário, esta não é, nem nunca foi, uma medida defendida pela OMD.
A redução dos numerus clausus com uma clara aposta na formação contínua pós-graduada, o diálogo constante com as instituições de ensino superior e a dinamização do Fórum Ensino e Profissão, a criação da carreira de médico dentista no sistema público e o maior aproveitamento público da rede de clínicas privadas com a criação de parcerias público-privadas foram, são e continuarão a ser as medidas defendidas pela OMD.
Cumpre-me, como Bastonário da OMD, não apenas pugnar pela qualidade da medicina dentária, pelo acesso da população a cuidados médico-dentários adequados, mas também encarar o cenário da pletora profissional.
Desse modo, e como sempre tenho feito, continuarei a trazer a público a realidade da medicina dentária em Portugal e a fomentar a discussão de medidas que possam contribuir para a sua melhoria.
O Bastonário,
Miguel Pavão