O bastonário da OMD, Miguel Pavão, e a vice-presidente do Conselho Diretivo, Maria João Ponces, receberam esta manhã, dia 22 de outubro, na sede da Ordem, a Associação Nacional de Estudantes de Medicina Dentária (ANEMD), representada pelas presidente e presidente eleita, Inês Pereira e Bianca Gomes, respetivamente, bem como os representantes da Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (AEFMDUP), Inês Carvalhal, do Núcleo de Estudantes Medicina Dentária da Associação Académica de Coimbra (NEMD/AAC), Raquel Duarte e da Associação Académica Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (AAMDUL), Diogo Freitas (via Zoom).
Nesta audiência, solicitada pelos estudantes, na sequência das conclusões do estudo Os Números da Ordem, que foram conhecidas na semana passada, e das declarações do bastonário a um canal aberto televisão a propósito de um cenário que cada vez mais preocupa a Ordem dos Médicos Dentistas: Portugal formou e perdeu um número recorde de médicos dentistas.
Miguel Pavão saudou junto dos estudantes a iniciativa de pedirem esclarecimentos sobre este assunto, demonstrando interesse em conhecerem concretamente o seu posicionamento sobre o papel das faculdades na resolução deste “flagelo”. “É salutar verificar que os estudantes estão atentos aos desafios da profissão, demonstram abertura para ouvir e debater um tema estrutural da profissão que vão abraçar em breve, e estão empenhados em fazer parte de uma solução que traga perspetivas para as atuais e futuras gerações”, notou o bastonário.
Na reunião, Miguel Pavão teve a oportunidade de esclarecer que a reportagem emitida em canal aberto televisivo resulta de uma longa conversa que foi condensada em cerca de dois minutos, tendo um “enquadramento que não ficou explicito, não permitindo a quem visualiza a peça analisar o contexto no qual foram proferidas as declarações”. E o contexto, adiantou, é do conhecimento público, tal como tem sido plasmado nas notícias veiculadas pela comunicação social.
“É urgente parar e pensar numa estratégia nacional capaz de inverter estes números”, esclareceu, frisando que “nunca mencionou fechar todas as faculdades, sejam públicas ou privadas, tendo apontado, sim, que esta estratégia tem que envolver o ensino superior da medicina dentária, que podem dar um contributo fundamental através de diversos mecanismos, seja pela redução dos numerus clausus, pelo maior investimento na formação pós-graduada, ao invés de manter ou alargar a oferta pré-graduada”.
“Defendemos que se privilegie a formação e qualidade do ensino, em detrimento da quantidade, pois a formação de profissionais em excesso tem um grande impacto no mercado de trabalho cada vez mais saturado”, referiu Miguel Pavão, indicando à ANEMD que é este o posicionamento sobre esta matéria.
Prestados os esclarecimentos solicitados, o bastonário e a vice-presidente da OMD aproveitaram a audiência para ouvir a comitiva da ANEMD sobre a análise que fazem sobre as conclusões dos recentes Números da Ordem e conhecer as preocupações dos estudantes quanto ao futuro da profissão. Durante as conversações ficou reconhecido que é imperativo fazer “uma reflexão profunda sobre um problema que se adensa há anos”.
Por fim, Miguel Pavão indicou ainda que a Ordem está empenhada em desempenhar o “seu propósito de serviço público”, pelo que para se alcançar uma “estratégia nacional que traga resultados”, além de “convocar o setor do ensino, que tem uma voz fundamental”, é necessário envolver também o “Estado na definição de políticas que garantam o acesso transversal da população aos cuidados de saúde oral”, bem como os “profissionais dos setores público, privado e social no combate à precariedade e desvalorização do ato médico-dentário”.