A criação da carreira de médico dentista no Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai avançar este ano. A intenção é manifestada pelo Ministério da Saúde ao jornal Público e vai de encontro às expectativas da OMD, que na reunião de janeiro com a Direção Executiva do SNS recebeu o “desafio” para “criar um grupo de colaboração”. “Nomeamos três pessoas para trabalhar em conjunto na dinâmica da carreira e na reforma dos cuidados de saúde primários e outras questões associadas ao cheque-dentista”, adianta o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas.
Para Miguel Pavão, este é o passo necessário para criar condições para fixar os médicos dentistas no SNS. “Enquanto não houver uma carreira, todo o esforço será inglório”, refere, em declarações ao Público, aproveitando ainda para alertar não só para a precarização da classe, mas também para o incumprimento das metas definidas no âmbito da instalação de gabinetes de medicina dentária nos cuidados primários. “Havia um objetivo do Governo de ter cerca de 286 médicos dentistas até 2020. Esse número não foi cumprido”, salientou em conversa com a TVI.
Desmaterialização do cheque-dentista
Na edição da passada quarta-feira, de 8 de fevereiro, o jornal Público revela ainda os dados referentes à utilização do cheque-dentista em 2022. Dos cerca de 630 mil cheques emitidos, 34,1% não foram usados, o equivalente a mais de um terço.
Ao matutino, a Direção-Geral da Saúde (DGS) revela que “está a preparar um questionário a aplicar aos utentes/ encarregados de educação” para perceber quais são os motivos para a não utilização do cheque-dentista e definir uma estratégia para a sua eficaz promoção.
Paralelamente, acrescenta, está a ser desenvolvida uma campanha de comunicação, bem como medidas de desmaterialização, em que os beneficiários ou os encarregados de educação “vão passar a receber um SMS ou um email a informar que têm direito a um cheque-dentista, ou a uma consulta de higiene oral, e qual a validade para usufruir destes cuidados de saúde”. Será igualmente enviado um “SMS de alerta para o término da validade do cheque ou do benefício da consulta”.
Perante estes dados, Miguel Pavão considera que a taxa de utilização “devia ser maior”, considerando que a prestação de cuidados de saúde oral “voltaram completamente à normalidade”. Por isso, defende a necessidade de “uma agenda diferente” por parte da DGS. Até porque, conforme referiu mais tarde à SIC, “a saúde oral detém uma componente muito grande na saúde sistémica dos indivíduos”.
Razão pela qual, no que concerne o setor público, a Ordem defenda, e tem vindo a argumentar junto das entidades responsáveis, que é preciso acompanhar, reformular e fazer evoluir o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, “não só na sua comunicação, mas também no valor de comparticipação”, que é atualmente inferior ao praticado em 2008, data de criação do programa.