A secretária de Estado da Promoção da Saúde, Margarida Tavares, visitou esta semana o projeto “Comer Bem, Sorrir Melhor” e ficou a conhecer os primeiros resultados desta iniciativa, que arrancou a 2 de maio e já avaliou mais de 2 mil alunos do primeiro ciclo de ensino dos 14 municípios da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões.

Margarida Tavares elogiou o projeto e destacou a “importância da prevenção” na saúde. A secretária da Estado abordou ainda a descentralização de algumas competências, no sentido de “aproximar as respostas para onde são necessárias e por quem melhor conhece a comunidade”. “Uma pessoa com uma alimentação saudável, com um bom peso corporal e com um sorriso bonito é uma pessoa em vantagem na sociedade, em todos os aspetos, sociais e económicos, com um futuro bem mais risonho”, afirmou, em declarações à comunicação social.

“Comer Bem, Sorrir Melhor” é uma iniciativa da Ordem dos Médicos Dentistas, em parceria com a Ordem dos Nutricionistas, que utiliza fundos do Portugal Inovação Social, dentro do Programa Operacional de Inovação Social e Empreendedorismo, e conta com o apoio da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões e da Colgate. O projeto tem como objetivo promover estilos de vida saudáveis, reduzir o risco de cáries e equilibrar a alimentação diária das crianças do primeiro ciclo.

Durante a visita, em Nelas, a coordenadora do projeto, Maria Llanes, apresentou o balanço dos primeiros meses de atividade. Dos mais de 5.600 alunos que frequentam o primeiro ciclo dos 14 municípios da CIM Viseu Dão Lafões, 2.395 já foram avaliados no âmbito do projeto. “Destes, 39,2% tem excesso de peso (pré-obesidade ou obesidade), quase 10% acima dos dados nacionais, e 51% está com prevalência de cáries, uma percentagem mais alta que os dados do país”, adiantou Maria Llanes.

A coordenadora acrescentou que “o nível de literacia das crianças não é igual e, para não aumentar as iniquidades, as ações devem ser individualizadas e direcionadas só para as que apresentam um nível menor. Se fizermos ações gerais, as crianças que têm um maior índice de literacia vão aproveitar mais e melhorar o seu conhecimento. O que na prática contribui para um aumento, não intencional, da lacuna de conhecimento já existente entre estas crianças”.

O bastonário da OMD salientou que “o sucesso” desta iniciativa é “evidente pelo interesse de mais duas CIM em desenvolver este projeto”. Miguel Pavão desafiou o Governo a dar continuidade a este projeto e “alargá-lo a todo o país”. O responsável frisou que é “importante valorizar a prevenção, mudando o modelo de intervenção e colocando a dimensão da promoção da saúde e de estilos de vida saudáveis como um dos papeis dos profissionais de saúde e dos médicos dentistas”. Nesse sentido, apelou, “à necessidade de se repensar e redimensionar as profissões de saúde para este desígnio”.

Já a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, mostrou-se preocupada com os dados apresentados e destacou a urgência de “trabalhar de mãos dadas”, lançando aos municípios o repto de integrarem os “nutricionistas e médicos dentistas nos seus quadros”.

No primeiro semestre do projeto foram entregues 2.710 escovas, 2.477 pastas e 2.571 colutórios. Todos os encarregados de educação recebem um guia terapêutica adequado ao risco da criança ter cáries. As crianças sinalizadas com cáries em dentes definitivos voltarão a ser avaliadas numa segunda fase do projeto.

Ordem dos Médicos Dentistas
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