A comunicação que se estabelece entre paciente e médico, dentista ou não, foi um dos pontos de partida da sessão “comunicação e literacia em medicina dentária”, moderada por Luís Sousa. O painel não tem dúvidas de que, no geral, o nível de desinformação é grande e abrange várias áreas da saúde, mas apontou vários caminhos para o futuro, começando por uma relação mais estreita e duradoura entre médico e paciente.
Célia Carneiro, vice-presidente do Conselho Geral da OMD, visou o papel das autarquias nesta questão. “Os níveis de literacia em Portugal são manifestamente baixos e os municípios carecem de posturas ativas nos processos de saúde”, defendeu Célia Carneiro.
Ainda assim, estará a informação a chegar às pessoas? Miguel Arriaga, Chefe da Divisão de Literacia e Saúde e Bem-estar da DGS, entende que o setor da saúde enfrenta um desafio. “Precisamos de estar onde as pessoas estão. E se elas estão nas redes sociais também precisamos de lá estar. Temos de entrar no digital e pela via dos influenciadores digitais, customizando também a informação que pretendemos transmitir”, considerou.
Durante a sessão, constatou-se ainda que outro dos problemas, além da falta de literacia, acaba por ser o pouco compliance dos pacientes, que atinge 54 por cento no caso da medicina dentária. Introduzir estes temas desde cedo é uma das formas de mitigar esta questão. “Através do programa “Comer Bem, Sorrir Melhor”, percebemos que a taxa de obesidade e o número de cáries atinge valores muito altos nas crianças. Daí a importância deste programa e da prevenção”, constatou Maria Llanes, coordenadora deste projeto da OMD, em parceria com a Ordem dos Nutricionistas e com o apoio da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões e da Colgate.
Victor Assunção, professor da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, e Paulo Santos, presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Geral e Familiar da OMD, foram outros dos preletores da sessão.