O momento mais solene do 29º Congresso da OMD aconteceu no primeiro dia, a 27 de novembro. À cerimónia de abertura juntaram-se virtualmente diversas individualidades civis, académicas e militares, bem como as associações congéneres dos países de língua oficial portuguesa.
A presidente da Comissão Organizadora, Célia Coutinho Alves, abriu o evento e destacou a o facto de esta edição ficar na história por “reinventar uma nova forma de aprender a medicina dentária e de servir a classe”. Lembrou que a organização herdou um congresso cancelado, mas que tal “não foi motivo para baixar os braços” e “com uma vontade hercúlea levantamos o 29º Congresso neste formato totalmente inovador”.
Destacou também a aposta em privilegiar “a nossa língua”, uma forma de materializar a “vontade de trazer perto todos os colegas que estão fisicamente fora do nosso país” ou que “são originalmente de países de língua portuguesa”.
O bastonário da OMD definiu o congresso como um “momento de superação” e anunciou os desafios da Ordem para 2021. No discurso da cerimónia de abertura Miguel Pavão defendeu que é preciso “criar uma rubrica específica no Orçamento de Estado para a saúde oral. Assiste aos portugueses o direito de saber quanto é investido em saúde oral. Nessa rubrica deverá ser integrado o valor de 30% do Imposto Acrescentado sobre as Bebidas Açucaradas”.
A receita total deste imposto rondará, de acordo com o Orçamento de Estado para este ano, 84,9 milhões de euros, ou seja, 25 milhões de euros seriam alocados à saúde oral e serviriam também “para a reformulação do cheque-dentista e estabelecer uma carreira especial para os médicos dentistas que participam no programa ‘Saúde Oral para Todos no SNS’”. Sendo que, sublinha o bastonário da OMD, “é também preciso contemplar os cuidados de saúde oral aos portadores de diabetes e estimular a prevenção e literacia junto dos estratos populacionais socialmente mais desfavorecidos”.
A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, realçou a “admiração por quem parte e constrói a sua vida no estrangeiro” e garantiu que sempre poderão contar com a rede diplomática. Deixou uma mensagem de fraternidade e esperança aos médicos dentistas no estrangeiro. E destacou o papel no “combate à pandemia que assumiram como vosso e através da continuação do vosso exercício profissional, em contexto epidemiológico difícil, mantendo a segurança dos vossos locais de trabalho”.
O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, agradeceu aos médicos dentistas a participação no “desígnio nacional de combater a pandemia”, elogiando o seu papel na linha SNS 24 e na realização dos inquéritos epidemiológicos na ARS Norte. “Continuamos a contar convosco neste desafio de saúde pública que nos convoca a todos”, apelou o responsável que falou do caminho que vem sendo traçado para “melhorar a saúde oral dos portugueses”. Citou os cinco mil médicos dentistas aderentes ao Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral e os 124 gabinetes de medicina dentária que existem nos cuidados de saúde primários. Isto porque, lembrou, “há vida para além da pandemia”.
António Lacerda Sales revelou que aguarda aprovação o “Plano Nacional de Saúde Oral 2020-2025”, alinhado com o Plano Nacional de Saúde revisão e extensão a 2020 e com os objetivos da OMS. Este plano, explicou, “preconiza o acesso universal a cuidados preventivos e curativos a todas as crianças e jovens e a integração de mais uma coorte, antecipando para os quatro anos a intervenção preventiva e se necessário curativa”. “Define estratégias para de forma progressiva atribuir apoios para reabilitação oral, nomeadamente aquisição de próteses dentárias”, acrescentou.
A sessão encerrou com a mensagem do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que elogiou o “trabalho notável” dos médicos dentistas “num quadro de fortíssimas adversidades”. E assinalou a “iniciativa, a criatividade e a ideia de chegar a todos”, destacando o mérito adicional de o “congresso ser dedicado à língua portuguesa”. Motivos que reforçam a “nossa projeção no mundo”.




