Itália é atualmente o epicentro do COVID-19 na Europa e a nível mundial. A vizinha Espanha e França têm igualmente assistido à rápida expansão da pandemia. Estes países, a par de Portugal, têm adotado medidas drásticas de combate ao novo coronavírus. A medicina dentária não é exceção e os representantes dos médicos dentistas estão a pedir aos profissionais que adiem as consultas não urgentes e a apelar aos respetivos governos que legislem medidas de apoio para esta profissão liberal, bem como de reforço do stock dos materiais para proteção destes profissionais.
A Ordem francesa solicitou inclusive ao Governo que encontre uma solução para esta carência, já que os médicos dentistas franceses estão com falta de Equipamento de Proteção Individual (EPI), nomeadamente de máscaras FFP2.
A Dinamarca anunciou esta quarta-feira, 18 de março de 2020, e com efeito imediato, o fecho de todos os consultórios de medicina dentária pelos próximos três meses, que passam a cumprir unicamente “funções críticas”. Também a Holanda vai encerrar esta atividade.
Um pouco por toda a Europa, as ordens e conselhos representantes dos médicos dentistas pedem aos seus profissionais união e cuidados redobrados. Os relatos e apelos são muito semelhantes: os responsáveis pedem aos respetivos governos que incluam nas medidas legislativas soluções que protejam os médicos dentistas e as suas equipas. Sendo uma profissão liberal, os alertas vão para a necessidade de serem criados mecanismos de assistência social e apoios que permitam retomar a atividade normal, quando este cenário de emergência terminar.
Seguindo o exemplo das congéneres europeias, a American Dental Association, nos EUA, recomendou aos médicos dentistas que adiem procedimentos não urgentes durante as próximas semanas, de forma a inverter a propagação do vírus, e relata as dificuldades sentidas pelos profissionais americanos em obter equipamentos de proteção. Por outro lado, também já apelou ao Congresso para que inclua os médicos dentistas e pacientes na legislação sobre o coronavírus.
Em Portugal, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, perante a decisão governamental de fechar clínicas dentárias (exceto em caso de atendimento urgente), reiterou a necessidade de serem implementados mecanismos de apoio social e económico, que atenuem os impactos desta decisão na atividade destes profissionais maioritariamente liberais. Considerou também essencial que o Governo providencie mais máscaras FFP2 para que os médicos dentistas possam prestar os cuidados urgentes em segurança.
Na conferência de imprensa de 17 de março, o secretário de Estado da Saúde, António Sales, salientou o papel das ordens profissionais, com quem reuniu e que se disponibilizaram para ajudar no combate à epidemia, adiantando que estão a ser estudadas formas de integrar essas ajudas na resposta global ao surto, através da Direção-Geral de Saúde. O responsável adiantou que estão a melhorar a resposta no que toca a equipamentos.