O relatório “Portugal – Prevenção e Controlo do Tabagismo em Números 2015” (pdf) indica que houve uma redução na prevalência do consumo de tabaco.
Este resultado deve-se sobretudo ao aumento do número de pessoas que deixaram de fumar, uma tendência que se tem verificado nos últimos nove anos.
O documento, apresentado esta semana pela Direção-Geral da Saúde (DGS), revela que a prevalência de fumadores com 15 ou mais anos diminuiu de 20,9%, em 2005/ 2006, para 20%, em 2014.
O mesmo se verifica na prevalência de consumidores diários, onde se registou uma redução de quase 2% (passou de 18,7% para 16,8%).
Enquanto o número de ex-fumadores aumentou quase 6% em nove anos, a percentagem de indivíduos que nunca fumaram caiu quase 5%. Por outro lado, o relatório mostra que, no caso dos homens, houve uma diminuição do consumo diário de tabaco (de 27,5% para 23,5%). Já nas mulheres há uma inversão, havendo um ligeiro aumento (de 10,6% em 2005/ 2006 para 10,9%, em 2014).
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo é a primeira causa evitável de doença, incapacidade e morte prematura nos países desenvolvidos. O mesmo relatório da DGS indica que, em 2013, devido ao consumo de tabaco houve 5.488 mortes por cancro, 2.941 por doenças crónicas e 2.826 por doenças do aparelho circulatório (estimativas do IHME – Institute for Health Metrics and Evaluation).
Os fumadores apresentam um maior risco de contrair cancro oral que, segundo a Federação Dentária Internacional, tem uma das taxas de sobrevivência mais baixa a cinco anos, que ronda os 50%.
Em Portugal, o Programa de Intervenção Precoce de Cancro Oral (PIPCO), lançado em março de 2014, tem tido um papel eficaz na luta contra o cancro oral. No ano passado, foram emitidos 3.836 cheques-diagnóstico, sendo utilizados 1.421. Destes, 703 deram origem à emissão de um cheque-biópsia por parte do médico dentista e foram realizadas 661 biópsias.
No total, foram detetadas 23 biópsias positivas (mais nove do que em 2014) e 49 resultados potencialmente malignos. Todos os casos analisados apresentaram resultado negativo para o HPV, o vírus do Papiloma Humano.