“Our political parties, once intimately coupled to the capillaries of community life, have become evanescent confections of pollsters and media consultants…”
Robert D. Putnam
O Dia Mundial da Saúde Oral, comemorado no passado dia 12 de Setembro, constituiu uma excelente reflexão sobre a estratégia da saúde oral a desenvolver na próxima legislatura. Esta iniciativa da Federação Dentária Internacional (FDI) tem por objectivo chamar a atenção das comunidades de cada país para o tema, assim como para o impacto das doenças orais na saúde das populações. A FDI é a organização líder mundial, independente e autorizada, da Medicina Dentária. Fundada em 1900, em Paris, com sede em Genebra, conta actualmente com cerca de 200 instituições associadas de 134 países, representando mais de um milhão de Médicos Dentistas de todo o mundo.
Tem relações oficiais com a Organização Mundial de Saúde e a Organização das Nações Unidas. Tem como missão estabelecida:
- Ser a voz representativa e independente da Medicina Dentária mundial;
- Promover a excelência na saúde oral e no contexto da saúde em geral;
- Promover a ética, a arte, a ciência e a profissão médico-dentária.
Este ano o tema da reflexão foi o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNPSO), vulgarmente designado por Cheque-Dentista.
O PNPSO é uma parceria público-privada, com competências claramente definidas.
Abrange neste momento alguns grupos designados especiais da população portuguesa, crianças de 7,10,13 anos, grávidas, idosos do Complemento Solidário, através da atribuição de Cheques-Dentista permitindo o acesso a cuidados preventivos e curativos prestados por profissionais especializados, nomeadamente por Médicos Dentistas nos seus consultórios privados, sendo assegurada a livre escolha ao utente.
Desde Março de 2008 aderiram ao Programa 3135 Médicos Dentistas, que exercem a sua actividade em 4714 locais de prestação de cuidados.
Em momento de eleições legislativas, uma reflexão mais pertinente se deve colocar sobre as diferentes propostas dos Partidos Políticos, nomeadamente daqueles com assento parlamentar sobre a saúde em geral e a saúde oral em particular.
Apenas o Partido Socialista propõe em concreto o alargamento do programa a todas as crianças dos 4 aos 16 anos; Convenhamos que é positivo, mas redutor.
Portugal, as Pessoas, necessitam de uma estratégia de puzzle, verdadeiramente integrada e abrangente para a saúde oral. Que contemple:
- O alargamento do Cheque-Dentista, não só a todas as crianças dos 4 aos 16 anos, mas também aos diabéticos, um grupo especialmente vulnerável da população;
- Um sistema de comparticipação de alguns actos básicos de Medicina Dentária para a generalidade dos utentes do SNS;
- A inserção da Medicina Dentária na órbita da Medicina do Trabalho, desta forma contribuindo para a diminuição do absentismo e aumento da produtividade, sem esquecer a questão de saúde pública inerente à falta de saúde oral;
- A inserção dos Médicos Dentistas nos Hospitais do SNS;
- A contratualização de Médicos Dentistas pelas Unidades de Saúde familiar (USF’s).
A Ordem dos Médicos Dentistas e a Federação Dentária Internacional têm vários aspectos em comum, se esquecermos a dimensão relativa de cada uma das instituições. Uma delas é termos o seguinte hábito: quando levantamos um problema, imediatamente sugerimos a solução…
Orlando Monteiro da Silva
Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas
Presidente–Eleito da Federação Dentária Internacional
| Artigo digitalizado publicado no Expresso (19 de Setembro de 2009) |