Resumo
A xerostomia é muitas vezes definida como uma “sensação de boca seca” e caracteriza-se por uma diminuição quantitativa do fluxo salivar em repouso (para menos de 50%) ou a uma alteração da composição da saliva, sem diminuição dos fluxo salivar. Esta condição atinge aproximadamente 4-29% da população adulta, sendo mais comum no sexo feminino. Apesar de ser mais prevalente em idosos, não parece estar relacionado com o envelhecimento por si só.
O diagnóstico subjectivo é clínico e baseia-se na história clínica e no exame da cavidade oral. Entre os sinais clínicos mais comuns referem-se a falta de saliva no pavimento da boca, a queilite, a saliva viscosa e branca, a recorrência de candidose oral, a glossite atrófica, a glossodinia, disgeusia, ageusia, dificuldade na deglutição, mastigação e fala, halitose aumento da incidência de cáries cervicais. Para o diagnóstico objectivo socorremo-nos da sialometria que permite uma medição quantitativa da saliva.
Entre as causas mais comuns de xerostomia destacam-se as terapêuticas com antihistamínicos, antidepressivos, anticolinérgicos, anti-hipertensores, antipsicóticos, diuréticos, sedativos.
Outras causas podem ser referidas tais como irradiação da cabeça e pescoço, Síndrome de Sjögren, respiração bucal, hábitos tabágicos, doenças sistémicas e metabólicas, febre alta e desidratação, uso excessivo de alimentos condimentados, stress. O tratamento da xerostomia no momento actual baseia-se em medidas paliativas tais como revisão da medicação que tenha como efeito colateral xerostomia e hidratação oral do doente.
A nível sintomático podem ser utilizadas técnicas que provoquem o aumento da secreção salivar, como por exemplo, o uso de sialogogos e saliva artificial, ingestão de cenouras cruas, higiene oral meticulosa, bochechos com clorohexidina e flúor, abstenção de cafeína, tabaco e álcool. No caso de ser resultado da radiação, devem ser usadas placas protectoras das glândulas próximas da zona a irradiar, deve ser aplicada radiação com intensidade modulada e utilizados citoprotectores tais como amifostina e pilocarpina.
Todas as medidas terapêuticas adoptadas devem dirigir-se primariamente no conhecimento da etiologia e posteriormente na objectivação das acções mais indicadas. O papel do médico dentista baseia-se na informação aos seus pacientes de medidas profilácticas, no alívio sintomático e na prevenção de complicações associadas.
Elisabete Barbosa
- Médica Dentista, licenciada pela Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, em 2008

- Monitora de Medicina Oral na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, desde 2008
- Aluna de Doutoramento em Medicina Dentária na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto