8 de outubro 2026

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A antibioterapia prescrita no contexto odontológico pode provocar alterações sistémicas relevantes para a saúde genital feminina, nomeadamente pela redução das populações de Lactobacillus vaginais e consequente predisposição para vaginose bacteriana ou candidíase.

Os Lactobacillus (os “bacilos de Döderlein”) desempenham um papel protetor fundamental, mantendo o pH vaginal ácido e inibindo o crescimento de microrganismos oportunistas. Antibióticos de largo espetro frequentemente utilizados em odontologia (como amoxicilina, clindamicina e azitromicina) podem reduzir seletivamente estas bactérias benéficas, alterando a composição da microbiota vaginal e aumentando o risco de disbiose.

Estratégias de prevenção incluem prescrições antibióticas mais criteriosas, seleção de agentes com menor impacto sobre a flora vaginal e aconselhamento clínico adequado antes e após o tratamento. A administração de probióticos contendo estirpes específicas — como Lactobacillus rhamnosus GR-1, L. reuteri RC-14 ou L. crispatus — demonstrou, em diversos estudos, capacidade de recolonização vaginal, redução de patogénios e melhoria dos parâmetros clínicos em contexto adjuvante, embora a heterogeneidade metodológica e a variabilidade dos resultados recomendem prudência interpretativa.

Reforça-se a importância da integração entre práticas odontológicas e ginecológicas — com educação das utentes, vigilância de sintomas vaginais após antibioterapia e eventual uso de probióticos adjuvantes — bem como a necessidade de investigação clínica adicional para padronizar esquemas e dosagens.

O objetivo principal desta formação é: promover a compreensão integrada entre as áreas de odontologia e ginecologia sobre o impacto da antibioterapia na flora vaginal, destacando a importância do equilíbrio microbiano oral e vaginal para a saúde global da mulher.

O curso visa capacitar os profissionais de saúde a reconhecer os efeitos colaterais ginecológicos decorrentes de tratamentos antibióticos dentários e a adotar estratégias baseadas em evidência para prevenir disbioses e infeções oportunistas, através do uso racional de antibióticos e da aplicação criteriosa de probióticos como medida profilática e terapêutica adjuvante.

No final desta formação o formando será capaz de:

  • compreender a fisiopatologia da disbiose vaginal induzida pela antibioterapia utilizada em procedimentos odontológicos, reconhecendo os mecanismos de alteração da flora de Lactobacillus e as suas consequências clínicas;
  • identificar os principais sinais e sintomas associados à candidíase vulvovaginal e vaginose bacteriana, distinguindo as manifestações clínicas mais frequentes e os fatores predisponentes;
  • prescrever empiricamente, de forma segura e fundamentada, terapêutica apropriada em utentes de baixo risco, de acordo com as recomendações e boas práticas vigentes;
  • reconhecer situações de risco ou complexidade clínica que justifiquem referenciação a um médico ginecologista, assegurando uma abordagem multidisciplinar centrada na paciente.
Curso ministrado por

André Borges

  • Médico especializado em Ginecologia e Obstetrícia.
  • Cirurgião dedicada à área da Ginecologia Oncológica.
  • Ecografista dedicado ao estadiamento de Tumores Ginecológicos.
Ordem dos Médicos Dentistas
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