Frauke Müller

Prevenção, planeamento e reabilitação oral no idoso | Conceitos e estratégias na prevenção e no tratamento oral no paciente idoso

Frauke MüllerFrauke Müller é professora e regente da cadeira de Odontogeriartria e prótese removível na Universidade de Genebra.

Nasceu em Kiel, na Alemanha, e estudou Medicina Dentária em Bonn, onde recebeu a sua licenciatura e também doutoramento.

Até 2003, trabalhou no Departamento de Prótese Dentária da Universidade de Mainz, na Alemanha, onde recebeu a sua habilitação (PD) em 1996.

Graças a bolsas de estudo, ela teve a oportunidade de passar vários anos no London Hospital Medical College, Inglaterra (1988 e 1993/94).

A Professora Müller esteve presente na direcção de várias associações profissionais: ECG (Colégio Europeu de Odontogeriartria), Gorg da IADR (Grupo de Investigação em Odontogeriartria) e o SSRD (Sociedade Suíça de Dentisteria Reconstrutiva).

Desde 2010, é presidente da Sociedade Suíça de Medicina Dentária para idosos e deficientes (SGZBB).

É editora associada da publicação Gerodontology.

Sua actividade de pesquisa está relacionada principalmente com Odontogeriartria, função oral, assim como prótese total e prótese implantosuportada.

 

Resumo da apresentação “Prevenção, planeamento e reabilitação oral no idoso”

O desenvolvimento demográfico aponta para um aumento da proporção de idosos na população mundial, assim como um aumento da esperança média de vida dessa mesma população.

Existe também uma tendência acentuada para que os dentes naturais sejam mantidos durante mais tempo. Devido à heterogeneidade deste grupo populacional, o tratamento dentário pode parecer difícil e abrange um largo leque de especialidades.

Na velhice a poli-morbilidade e fragilidade normalmente dominam o dia-dia, de tal forma que o plano de tratamento ideal tem de ser adaptado a uma abordagem mais prática, considerando a saúde geral do paciente e limitações físicas assim como a sua autonomia para aplicar as medidas ideais de higiene oral e tratamento de próteses.

Tal como em qualquer outro plano de tratamento o beneficio-custo tem de ser equacionado relativamente ao contexto socioeconómico do individuo.

Nos pacientes mais velhos e frágeis até o mais simples e razoável plano de tratamento pode não ser exequível.

A motivação do idoso para tratamentos mais complicados diminui consideravelmente com a morbilidade limitando as intervenções possíveis.

A prevalência de demência duplica em cada 5 anos após os 65 anos de idade, o que tem um grande impacto no plano de tratamento. Na sua fase final a anestesia geral pode ser a única opção para as intervenções dentárias.

A sensação de boca seca e xerostomia são efeitos secundários frequentes em pacientes polimedicados por doenças crónicas, podendo causar infecções da mucosa e cárie radicular, assim como alterações da mastigação, deglutição, fonação e retenção das próteses.

Uma fase de tratamentos alargada antes do tratamento prostodôntico ajuda a compreender o tipo de tratamento que o paciente é capaz de suportar, assim, a resistência do paciente pode ser avaliada durante os tratamentos cirúrgicos, periodontais e de dentisteria.

A prevenção da infecção e manutenção do bem estar funcional, psicológico e psicossocial, assim como da qualidade de vida, devem ser prioridades no plano de tratamento.

 

Resumo da apresentação “Conceitos e estratégias na prevenção e no tratamento oral no paciente idoso”

A perda de dentes é uma realidade nos adultos idosos. No entanto, devido à prevenção e ao desenvolvimento de melhores materiais e técnicas de restauração os dentes naturais são hoje em dia mantidos durante mais tempo.

Sentidos como a visão, o gosto e o olfacto, assim como a destreza manual deterioram-se com a idade agravando as medidas de higiene oral e levando ao desenvolvimento de cáries radiculares e doença periodontal.

As infecções orais são associadas a um maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes e pneumonia por aspiração, especialmente em doentes acamados.

Os conceitos de tratamento prostodôntico devem ser diferentes para os indivíduos pouco idosos e os muito idosos, sendo que os pouco idosos têm cada vez mais exigências estéticas e requerem próteses implanto-suportadas de forma a evitar os constrangimentos das próteses removíveis.

Normalmente estes pacientes têm dentes fortes com forças oclusais elevadas e as prótese devem ser rígidas de forma a transferir essas forças para os dentes de apoio e não para a crista alveolar edentula.

Por outro lado pacientes mais idosos são normalmente mais frágeis e apresentam várias doenças sistémicas além de terem normalmente os músculos mais fracos e apresentarem dentes de apoio frágeis e muito restaurados.

Neste tipo de pacientes as forças oclusais exercidas devem ser transferidas para a crista alveolar edentula de forma a proteger os dentes de apoio.

Assim nestes indivíduos, muito idosos, uma prótese simples de crómio só com dois ganchos e com espaços para deixar fluir a saliva, pode ser um tratamento válido.

Pacientes desdentados apresentam um desafio importante, pois a capacidade muscular e de adaptação a uma nova prótese diminui com a idade, sendo que as técnicas de duplicação reduzem o desafio de adaptação a uma nova prótese.

Além disso, os implantes são cada vez mais usados para estabilizar próteses totais inferiores, por aumentarem significativamente a eficácia mastigatória e previnem a perda de osso peri-implantar.

Próteses implanto suportadas podem reverter alguns dos efeitos funcionais, psicológicos e psicossociais que a perda de dentes causa, aumentando a qualidade de vida relacionada com a saúde oral no fim da vida.

Ordem dos Médicos Dentistas
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