Gadulinium deposition disease, efeitos na musculatura orafacial e termografia médica: caso clínico
Póster de casos clínicos em oclusão, por Helena Campos Silva, Francisco Maligno, Catarina Aguiar Branco e João Carlos Pinho
Doente do género feminino, 42 anos, observada na consulta de Oclusão da FMDUP por sentir dor contínua, de intensidade moderada, localizada principalmente à direita, com irradiação retroauricular e periorbital, agravada com os movimentos e com sensação de “rigidez” muscular durante a mastigação.
Na anamnese referiu ter realizado uma ressonância magnética com contraste à base de gadolinium (Gd 3+) há 6 meses, tendo iniciado um quadro de “rigidez” e perda de força muscular generalizada. A presença do ião radioativo foi comprovada a partir de análises sanguíneas e à urina. O exame clínico revelou mialgia de predomínio direito, nos músculos masséter, digástrico, esternocleidomastoideu e padrão facial “rígido/espástico”.
Foi realizada uma termografia médica da região orofacial (equipamento Flir® i7 e FlirSystems®) para identificação de áreas cutâneas com aumento da temperatura, por alteração da contração muscular.
Diversos estudos têm enfatizado os efeitos adversos do Gd 3+ no sistema renal e a sua deposição no tecido cerebral, ósseo e muscular. As consequências deste ião radioativo no músculo esquelético estão relacionadas com a grande afinidade do Gd3+ pelos canais de cálcio. Desta forma, o Gd3+ compete com o cálcio (Ca 2+) e, sendo a contração muscular é um fenómeno dependente de Ca 2+, todo este processo é alterado, com diminuição da excitabilidade e contractilidade.
O gadulinium pode provocar alterações musculares também a nível orofacial. O médico dentista deve atribuir especial importância ao historial clínico do doente. A termografia médica suportou a identificação das regiões musculares com “padrão de contração anómalo-espasmódico” e o nosso diagnóstico clínico.