Fisiopatologia comum entre síndrome ardor bucal e síndrome pernas inquietas? – revisão narrativa
Póster de revisão em patologia oral por Ana Lúcia Afonso Madeira, Joana Filipa dos Santos Martins, Beatriz Batalha, João Tiago Ferreira e João Caramês
Introdução: A Síndrome de Ardor Bucal (SAB) é caraterizada por ardor na cavidade oral sem causa identificável. A Síndrome de Pernas Inquietas (SPI) consiste numa desordem neurológica caraterizada por desconforto nos membros inferiores associada à necessidade urgente de os movimentar. Ambas partilham caraterísticas clínicas e epidemiológicas que sugerem um mecanismo fisiopatológico em comum e novas possibilidades terapêuticas.
Objetivos: Esta revisão tem por objetivo avaliar na literatura existente a evidência de mecanismo fisiopatológico inerente a ambas as patologias descritas.
Métodos: Foi realizada uma pesquisa na base de dados PubMed, restringindo aos últimos 10 anos e a artigos em Inglês e recorrendo a três conjuntos de palavras-chave: “Burning Mouth Syndrome” e “Physiopathology”; “Burning Mouth Syndrome” e “Willis-Ekbom Disease”; “Restless Legs Syndrome” e “Physiopathology”.
Resultados: Os 14 artigos selecionados evidenciam semelhanças entre SBA e SPI, nomeadamente com prevalência de cerca de 15%, maior incidência em mulheres e sintomatologia, consistindo em um desconforto progressivamente pior ao longo do dia e com atenuação pelo movimento das estruturas afetadas.
Entre os vários mecanismos propostos, foi encontrada uma sobreposição para neuropatia periférica e para neuropatia central, recaindo esta última numa disfunção do sistema dopaminérgico sobre a qual a terapia dopaminérgica apresenta resultados positivos em ambas as patologias.
Conclusões: A partilha de caraterísticas clínicas e padrões de resposta farmacológica propõe um possível mecanismo fisiopatológico em comum.
Implicações clínicas: Embora sejam necessários mais estudos para confirmação desta relação, a hipótese mais promissora recai na disfunção do sistema dopaminérgico, propondo como tratamento para ambas a terapia com agonistas dopaminérgicos.