Efeitos do cigarro eletrónico na cavidade oral: uma revisão sistemática
Póster de revisão em patologia oral por Ana Ralho, Manuela Ribeiro, Ana Coelho, Anabela Paula e Eunice Carrilho
Introdução: O aumento da utilização de cigarros eletrónicos, aliado ao desconhecimento dos efeitos da mesma na saúde, a curto e a longo prazo, é preocupante. Embora a cavidade oral seja a primeira a interagir diretamente com o aerossol dos cigarros eletrónicos, o número de estudos sobre potenciais lesões na cavidade oral é ainda limitado.
Objetivos: Realizar uma revisão sistemática que avalie os efeitos dos cigarros eletrónicos na cavidade oral.
Métodos: Pesquisa nas bases de dados PubMed, Embase, Web of Science e Cochrane Library, de artigos publicados entre janeiro de 2003 e outubro de 2018, formulando a questão de pesquisa de acordo com a estratégia PICO. A qualidade da metodologia de cada estudo foi calculada segundo o “Methodological Index for Non-Randomized Studies”.
Resultados: Foram selecionados oito artigos. Em comparação com não fumadores, fumadores de cigarros convencionais e eletrónicos apresentaram parâmetros clínicos e radiográficos periodontais e peri-implantares com piores resultados e uma concentração salivar de citocinas pró-inflamatórias mais elevada. A hemorragia à sondagem foi o único parâmetro que apresentou piores resultados em não fumadores. Foram detetadas nove lesões diferentes na mucosa oral, sendo a estomatite nicotínica, a língua pilosa e a queilite angular mais prevalentes nos consumidores de cigarros eletrónicos.
Conclusões: Os resultados sugerem que os fumadores de cigarro eletrónico são menos suscetíveis ao desenvolvimento de alterações nos tecidos biológicos orais comparados com os fumadores de cigarro convencional. No entanto, continuam a ser mais suscetíveis em comparação com ex-fumadores e não-fumadores.
Implicações clínicas: Necessidade de novos estudos sobre os potenciais efeitos adversos associados ao uso de cigarros eletrónicos.