Hiperpigmentação palatina induzida por hidroxicloroquina - caso clínico
Póster de casos clínicos em patologia oral por Andreia Almeida Alves, Pedro Ferreira Trancoso e Rosana Maria Leal
Descrição do Caso Clínico: Paciente do género feminino, brasileira de 78 anos, compareceu na clínica de estomatologia em Novembro 2018 encaminhada por uma médica dentista, devido à pigmentação cinzenta escura, consistência e superfície normal, com limites irregulares, difusa, localizada no palato duro, simétrica, de diâmetro aproximado de 4cm, assintomática, sem noção temporal e que não desaparecia sobre pressão.
História médica de artrite reumatóide, gastrite, varizes e hipertensão arterial. Medicada com omeprazol, predinosolona e sulfato de hidroxicloroquina há mais de 10 anos. Como hipóteses diagnósticas considerou-se mácula melanótica, nevus, melanoma, pigmentação associada a fármacos e pigmentação associada a patologia sistémica.
Realizou-se uma biopsia incisional que revelou ao exame histológico epitélio pavimentoso estratificado paraqueratinizado e tecido conjuntivo fibroso exibindo pigmentações de cor castanha localizadas difusamente com presença de infiltrado inflamatório mononuclear. Pela história clínica da doente e pelo exame histopatológico diagnosticou-se hiperpigmentação associada à terapêutica prolongada com hidroxicloroquina com prognóstico favorável.
Discussão: Nas lesões pigmentadas da mucosa oral a biopsia está sempre indicada para excluir patologia maligna. Apoiado pela história medicamentosa da doente, foi estabelecido o diagnóstico de hiperpigmentação palatina induzida por hidroxicloroquina. Do ponto de vista da saúde oral estes casos não requerem tratamento.
Conclusões: Pacientes medicados com hidroxicloroquina que demostram hiperpigmentação oral estão em risco acrescido de retinopatia. Apesar da raridade desta manifestação oral, os médicos dentistas têm um papel fundamental na deteção precoce destes casos, e posteriormente encaminhamento para consulta oftalmológica.