Recobrimento radicular de recessões RT2 de Cairo: será o túnel a melhor opção?
Póster de casos clínicos em peridodontologia por Rita Lamas, Vanessa Rodrigues, Ana Rita Fradinho, Pedro Otão e João Branco
Descrição do Caso Clínico: Paciente do sexo masculino, 41 anos, com periodontite estadio I Grau A, controlada, encontrando-se em fase de suporte periodontal, referiu queixas de sensibilidade e desconforto durante a escovagem associadas aos dentes 21,22 e 23, os quais apresentavam recessões RT2 (Cairo e cols.2011). Foi decidido proceder a uma cirurgia mucogengival recorrendo à técnica de túnel com o objetivo de recobrir os referidos dentes.
Discussão: Embora o retalho de avanço coronal seja considerado o “gold-standard” no recobrimento radicular de recessões múltiplas, pela estabilidade dos resultados, neste caso clínico optou-se por recorrer à técnica de túnel de avanço coronal modificado, combinada com enxerto autólogo.
Embora haja modificações à técnica de avanço coronal, sem recorrer a incisões verticais de descarga (Zuchelli & De Sanctis 2000), a escolha do túnel teve como objectivo ultrapassar as limitações do retalho de avanço coronal: evitar a cicatrização por 2ª intenção na zona interproximal, onde é feita a disseção das papilas, reduzindo a probabilidade de haver cicatrizes.
Por esse motivo, a técnica de túnel pode proporcionar melhor cicatrização e melhor resultado estético. O resultado que se obteve, a 6 meses, mostra que a técnica de túnel é previsível no recobrimento radicular obtendo-se uma cor indistinguível da restante mucosa queratinizada adjacente.
Conclusões: A técnica de túnel de avanço coronal modificada com recurso a enxerto de tecido conjuntivo sub-epitelial permitiu obter um resultado estético favorável, associado a um menor desconforto pós-operatório e possibilitou um ganho de espessura e altura de gengiva queratinizada, que permitiu recobrimento numa recessão gengival de prognóstico reservado.