Maria João Begonha

Analgesia em cirurgia na cavidade oral: esquemas terapêuticos | Analgesia no doente complexo: ajuste do esquema terapêutico

  • Licenciada pela FMDUP.
  • Aluna de Doutoramento em Bioética, na FMUP.
  • Pós-graduação em Avaliação do Dano Corporal Pós-traumático.
  • Assistente na Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

Nacionalidade: Portugal

Áreas científicas: Terapêutica e farmacologia

Sala 1

Resumo da conferência

A gestão da dor na medicina dentária constitui um dos pilares essenciais de uma prática clínica bem-sucedida. O controlo eficaz da dor não só alivia o sofrimento do doente como também atenua o stresse fisiológico sistémico.
 
A seleção de um regime analgésico adequado constitui um desafio, exigindo uma abordagem altamente individualizada. O clínico deve equilibrar a eficácia terapêutica com a ocorrência de efeitos adversos dos medicamentos, uma tarefa complicada no tratamento de doentes complexos, que apresentam patologias sistémicas pré-existentes ou estão polimedicados.
 
Do ponto de vista farmacológico, os médicos dentistas recorrem principalmente a três classes distintas de analgésicos, cada uma caracterizada por mecanismos de ação diferentes e perfis de toxicidade específicos.
 
O paracetamol continua a ser o agente de primeira linha no tratamento da dor ligeira a moderada, atuando principalmente através de vias do sistema nervoso central para inibir a síntese de prostaglandinas; no entanto, a sua administração requer o cumprimento rigoroso dos limites de dose diária para prevenir a hepatotoxicidade.
 
Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), são altamente eficazes na dor dentária, uma vez que inibem as enzimas ciclooxigenases, reduzindo a síntese de prostaglandinas responsáveis pela sensibilização periférica dos nociceptores.
 
No entanto, os AINEs acarretam riscos de úlcera gastrintestinal, insuficiência renal aguda e eventos cardiovasculares adversos. Na dor pós-operatória intensa, os analgésicos opióides podem estar indicados, embora possam condicionar efeitos adversos.
 
Para além destas classes principais, os medicamentos adjuvantes, tais como os corticosteróides ou os anticonvulsivantes, desempenham um papel cada vez mais importante nas estratégias de tratamento da dor.
 
A seleção e o ajuste posológico destes fármacos dependem de uma avaliação cuidadosa tanto do tipo de dor (intensidade, duração e etiologia subjacente) como da existência de patologia de base do doente. Os doentes complexos incluem populações vulneráveis específicas, nas quais a dosagem empírica padrão pode conduzir a complicações graves.
 
Concluindo, alcançar uma analgesia ideal em doentes complexos depende de uma avaliação clínica abrangente.
 
Ao identificar indivíduos de alto risco, reconhecer potenciais interações medicamentosas e ajustar com precisão os regimes terapêuticos de acordo com diretrizes multidisciplinares baseadas na evidência, os clínicos podem alcançar um controlo da dor bem-sucedido, minimizando simultaneamente a incidência de complicações sistémicas.
Congresso da OMD 2026
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