Relação da Prematuridade Natal com Anomalias de Desenvolvimento Dentário – Estudo Epidemiológico
Póster de Investigação clínica em Ortodontia autoria de Daniela Gamboa, Catarina Iglésias, Luís Proença, Pedro Mariano Pereira, e
INTRODUÇÃO: Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma criança é considerada prematura se o seu nascimento ocorrer antes das 37 semanas de gestação ou se o peso de nascimento for inferior a 2500g. Os recém-nascidos prematuros, uma vez que nascem precocemente, ficam privados de um dos períodos intra-uterinos mais intensos em termos de crescimento e desenvolvimento. Deste modo, os seus sistemas de órgãos encontram-se ainda imaturos e por isso estão mais suscetíveis a desenvolver complicações. Tal como os diferentes tecidos do corpo, a prematuridade também afeta o desenvolvimento das estruturas orais, como os ossos faciais e a dentição. Assim, é importante compreender se a prematuridade natal pode prever ou estar associada a Anomalias do Desenvolvimento Dentário, e consequentemente auxiliar no diagnóstico precoce e tratamento desses problemas em crianças com história de nascimento prematuro.
OBJETIVOS: Esta investigação tem como objetivo avaliar se o nascimento prematuro tem influência no desenvolvimento de anomalias dentárias, nomeadamente, a agenesia dentária, a inclusão canina maxilar por palatino, a transposição dentária, dentes supranumerários, a microdontia e a macrodontia. MATERAIS E
MÉTODOS: Dos 2200 pacientes que procuraram tratamento ortodôntico numa clínica universitária, entre o ano de 2014 e 2023, foram identificados 72 pacientes com história de prematuridade natal. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, a amostra ficou constituída por 52 pacientes prematuros (27 raparigas e 25 rapazes), e a partir desta construiu-se um grupo de controlo de conveniência com o mesmo número de indivíduos, porém sem história de nascimento prematuro. Assim a amostra total ficou constituída por 104 indivíduos. Para cada paciente, recorrendo aos registos iniciais, foram analisadas as radiografias panorâmicas, os modelos de estudo, a história dentária e as fotografias intraorais, de forma a procurar a existência de anomalias do desenvolvimento dentário: agenesia dentária, dentes supranumerários, microdontia, macrodontia, inclusão canina maxilar por palatino e transposição dentária. De forma a avaliar se o peso à nascença e o tempo de gestação poderiam constituir fatores que influenciassem a presença de anomalias dentárias, o grupo de estudo subdividiu-se de acordo com os critérios de idade gestacional e peso à nascença. A análise estatística dos dados foi realizada através do Teste Qui-Quadrado ou do Teste de Fisher. Foi adotado um nível de significância 0,05.
RESULTADOS: Verificou-se uma associação estatisticamente significativa entre a prematuridade natal e a existência de pelo menos uma anomalia dentária (p=0,010). Isoladamente, a única anomalia do desenvolvimento dentário que revelou uma associação estatisticamente significativa com a prematuridade natal foi a agenesia dos incisivos laterais superiores (p=0,026). Relativamente ao tempo de gestação e ao peso à nascença, não foi possível estabelecer uma associação entre esses critérios e a presença de anomalias de desenvolvimento dentário.
CONCLUSÕES: A prematuridade natal parece ter influência sobre o desenvolvimento de anomalias do desenvolvimento dentárias estudadas, em particular a agenesia do incisivo lateral superior. As confirmações destes resultados requerem novos estudos, com amostras de maior dimensão e retiradas da população geral.
Póster, nº 44, 12h40, Hall dos Posters.