Marsupialização de quisto dentígero em dentição mista - caso clínico

Póster de casos clínicos em patologia oral, não candidato a prémio, autoria de Mónica Alves (autora apresentadora), A. Gomes da Silva e Marta Amorim.

Autores
Author photo
Mónica Alves Instituto Universitário Egas Moniz
A. Gomes da Silva Instituto Universitário Egas Moniz
Marta Amorim Instituto Universitário Egas Moniz
Não candidato a prémio

Introdução: O quisto dentígero (também designado por quisto folicular) é um quisto de desenvolvimento associado à coroa de um dente incluso. O terceiro molar mandibular é o dente associado com maior prevalência, seguido do canino maxilar e do segundo pré-molar mandibular. É uma lesão benigna de crescimento lento e assintomática, produzindo sintomatologia quando as dimensões se tornam consideráveis e envolvem estruturas adjacentes ou se existir infeção secundária, podendo, deste modo, provocar abaulamento das tábuas ósseas e dor. Os tratamentos mais frequentes, descritos na literatura são a enucleação com extração da peça dentária associada, a descompressão e a marsupialização. Descrição do

Caso Clínico: Doente do género masculino, leucodérmico, de 9 anos de idade apresenta dor na região do 85 com aumento de volume vestibular. Tem uma ortopantomografia anterior, realizada em contexto de avaliação ortodôntica, sem alterações relevantes. É realizada nova ortopantomografia evidenciando ausência do dente 84, dente 44 em processo de erupção, reabsorção radicular do dente 85 e imagem radiotransparente ténue, envolvendo a coroa do dente 45, mas indo além da coroa deste, o que levou à solicitação de cbct. Nas imagens da cbct observa-se o dente 45 incluso com evidência de uma lesão quística e franca expansão da cortical vestibular, envolvendo todo o dente.

Considera-se como diagnóstico provável quisto dentígero, e como diagnóstico diferencial o queratoquisto odontogénico, o ameloblastoma uniquístico, o tumor odontogénico adenomatóide e o fibroma ameloblástico. Propôs-se a exodontia do dente decíduo 85, biópsia incisional da lesão e marsupialização. Após exodontia do dente 85, realizou-se um pequeno retalho vestibular de espessura total, preservando as papilas e removeram-se dois fragmentos da parede quística: um diretamente do interior do alvéolo do dente decíduo extraído e outro da parede vestibular após remoção da fina tábua óssea vestibular com cureta.

Seguidamente realizou-se curetagem superficial do alvéolo e reposicionou-se o retalho na sua posição inicial com sutura reabsorvível 4/0. Toda a margem gengival foi suturada com seda 4/0, de modo a interromper o encerramento do alvéolo. Histologicamente observam-se faixas de tecido conjuntivo fibroso com infiltrado inflamatório predominantemente constituído por linfócitos e plasmócitos. Estas faixas são revestidas por uma camada, em algumas regiões fina, de epitélio pavimentoso estratificado. O aspeto histológico observado é compatível com quisto dentígero.

Conclusões: Neste caso clínico os autores realçam a importância do acompanhamento dos doentes pediátricos, especialmente em relação às alterações próprias da dentição mista. O tratamento cirúrgico de marsupialização mostrou-se seguro e eficaz, permitindo diminuir possíveis complicações de cirurgias mais complexas e preservar o dente associado.

Congresso da OMD 2022
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.