Reabilitação implanto-suportada em reconstrução com enxerto ilíaco após mandibulectomia marginal por ameloblastoma – caso clínico
Póster de casos clínicos em implantologia, não candidato a prémio, autoria de Beatriz Batalha (autora apresentadora), Daniela Abreu, André Moreira, Miguel Vilares, Helena Francisco e João Caramês.
Introdução: O ameloblastoma é um tumor odontogénico benigno, com predileção mandíbular, localmente agressivo e recidivante, pelo que o tratamento de eleição é a ressecção cirúrgica com margens.1 Do ponto de vista reconstrutivo recorre-se a enxertos livres de perónio ou ilíaco.2-4 Após consolidação, a reabilitação com implantes dentários é uma opção de tratamento, permitindo devolver função e estética oral.5-7
Descrição do Caso Clínico: Doente, género feminino, 39 anos, história médica atual não contributiva, com exceção de nevralgia pós-traumática do nervo alveolar inferior após enucleação de ameloblastoma em 2009, com recidiva em 2011 e ressecção por mandibulectomia marginal e reconstrução com enxerto livre da crista ilíaca em 2016. Doente encaminhada para reabilitação implanto-suportada correspondente ao defeito cirúrgico e perda dos dentes 45 ao 32. Da observação extra-oral notou-se ligeira assimetria facial e colapso do lábio inferior, à direita. Intra-oralmente identificou-se perda de tecido queratinizado e continuidade da mucosa do vestíbulo com a do pavimento. Da avaliação dentária considerou-se apenas o 33 como periodontalmente perdido. Foram realizadas fotografias extra- e intraorais, impressões preliminares, enceramento diagnóstico e construção de guia cirúrgica a vácuo; foi solicitada tomografia computadorizada de feixe cónico.
Por indicação do cirurgião maxilofacial optou-se pela manutenção dos 2 parafusos de osteossíntese; o plano de tratamento realizado incluíu a exodontia do 33 e a colocação de 4 implantes, provisionalização após 3 meses e reabilitação definitiva em zircónio-cerâmica. Após a exodontia do dente 33, verificou-se a ausência de condições ósseas adequadas para a colocação do implante, pelo que se optou pelo encerramento e colocação aquando do segundo estadio. Foram colocados implantes Ostem® TSIII 4x10mm e 4×8,5mm (elemento 32) e selecionados pilares trans-epiteliais de 3mm e 2mm (elemento 32).
Os pós-operatórios decorreram sem intercorrências, apenas com uma maior morbilidade álgica dada a nevralgia pós-traumática pré-existente. Foram realizadas ortopantomografias nos momentos adequados: colocação dos implantes, conexão dos pilares trans-epiteliais, prova de passividade e conexão da reabilitação definitiva. A doente foi instruída nos cuidados adequados de higiene oral e mantém acompanhamento trimestral de Higiene Oral.
Houve excelente adaptação à reabilitação provisória e à definitiva, o que permitiu um ganho funcional para a doente. Esteticamente conseguiu-se um excelente suporte do lábio inferior, conferindo uma harmonização do terço-inferior da face. A fase cirúrgica iniciou-se em março de 2021 e a última consulta de controlo foi em maio 2022, perfazendo 14 meses de acompanhamento.
Conclusões: A reabilitação implanto-suportada após cirurgia reconstrutiva com enxerto livre da crista ilíaca deverá ser considerada parte integrante do processo reconstrutivo do doente, otimizando os resultados funcionais e estéticos.