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Portugueses aumentam visitas ao médico dentista, mas quase 42% não marca consulta há mais de um ano

Publicado em 2017-10-25 12:15
Barómetro da Saúde Oral revela que mais de 70% da população portuguesa não sabe que existem centros de saúde com consultas de medicina dentária
Portugueses aumentam visitas ao médico dentista, mas quase 42% não marca consulta há mais de um ano

O Barómetro de Saúde Oral de 2017 revela que os portugueses estão a marcar mais consultas de medicina dentária. O inquérito realizado este verão mostra um crescimento de 5,4% face à edição anterior de 2015, ou seja 58,7% dos inquiridos afirma ter ido a pelo menos uma consulta de medicina dentária nos últimos 12 meses.

O estudo realizado pela consultora independente QSP tem validade estatística, tendo sido realizadas 1.102 entrevistas presenciais em todas as regiões de Portugal, incluindo os Açores e a Madeira.

Para o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, “a edição deste ano do Barómetro mostra uma evolução positiva que é de saudar, mas que tem de ser vista também pelo outro lado, em que há quase 42% de portugueses que não visitam o médico dentistas há mais de um ano, sendo que o estudo também mostra que ainda há 27% de portugueses que nunca visitam o médico dentista ou que só o fazem em caso de urgência.”

Orlando Monteiro da Silva destaca também que “as conclusões do Barómetro mostram uma correlação estatística, muito significativa entre a regularidade das visitas ao médico dentista e a falta de dentes naturais, ou seja, menos idas às consultas traduzem-se impreterivelmente em maior falta de dentes. A ligação é inequívoca e o Barómetro revela que 68% dos portugueses têm falta de dentes naturais e destes quase 30% tem falta de seis ou mais dentes, o que afeta inevitavelmente a capacidade dos doentes em mastigar. A isto acresce que mais de 57% dos portugueses que têm falta de dentes naturais não tem nada a substitui-los”.

O estudo mostra que dos portugueses que não vão ao médico dentista ou vão menos de uma vez por ano, 44,5% afirma não ter necessidade e 42,8% queixa-se que não tem dinheiro.

Orlando Monteiro da Silva salienta outra conclusão do estudo “71,1% da população portuguesa não sabe que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) já disponibiliza a área de medicina dentária em vários centros de saúde, e este valor indica uma menor taxa de informação em relação à edição anterior (68,7%). Ora, o Ministério da Saúde tem em curso um projeto-piloto que começou há um ano e integrou já 54 médicos dentistas em 50 centros de saúde, e é portanto urgente divulgar a existência destas consultas de saúde oral junto das populações”.

O Barómetro mostra que 90% dos portugueses não recorrem ao SNS para tratar de problemas de saúde oral e que dos 6,3% que recorreu às urgências hospitalares menos de 52% viu o seu problema resolvido, e dos 3,3% que se descolou a centros de saúde, 76% dos doentes foram aconselhados a consultar um médico dentista.

Dos inquiridos, 80% considera muito importante o acesso a serviços de medicina dentária no SNS, sendo que 77,7% concorda com a comparticipação do Estado para consultas nesta área no setor privado.

530px-barometro-saude-oral-2017-reflexo.jpgO bastonário da OMD sublinha que “para os doentes o que é importante é o acesso a consultas de medicina dentária, se são realizadas no privado ou no público é indiferente para a população. O Barómetro diz-nos que 97,8% dos portugueses afirmam escovar os dentes com frequência, 65% consideram que ir ao médico dentista é cuidar da saúde da boca, e 63% reconhece que a saúde oral afeta a saúde em geral, portanto já há consciência da importância do acesso e dos cuidados de saúde oral, mas é preciso fazer mais nesta área”.

Orlando Monteiro da Silva considera que “o Barómetro mostra um país a duas velocidades, em que quem tem capacidade financeira tem acesso à medicina dentária e quem não tem capacidade financeira é excluído. É por isso decisivo integrar mais médicos dentistas nos centros de saúde e nos hospitais e estabelecer um acordo entre o Estado e os consultórios e clínicas privadas para o financiamento de consultas de saúde oral. O Ministério da Saúde já deu os primeiros passos, mas é preciso reforçar a oferta para abranger efetivamente toda a população portuguesa”.

Pelas contas do Barómetro, metade dos portugueses (51,2%) marca consulta para check-up pelo menos uma vez por ano. Há 78,3% dos portugueses que efetuam o pagamento no momento da consulta. Contudo, a percentagem de utentes com seguro ou plano de saúde subiu para 11,6%, quando em 2015 não ultrapassava 7,6%.

O estudo inquiriu também os portugueses sobre a relação e avaliação que fazem com o seu médico dentista. Os inquiridos mostram-se satisfeitos com o seu médico dentista (91,8%). E quando existe insatisfação, os motivos remetem, principalmente, para questões de preço (46,1%) e resultados dos tratamentos (38,5%).

De salientar que 48% nunca mudou de médico dentista e que 79,2% optou pelo atual médico dentista por recomendação de familiar ou amigo. Aliás, 97% considera mais importante o médico dentista do que a clínica ou consultório em que este exerce.

Os atributos que os portugueses elencam para classificar o seu médico dentista são “confiável”, “atualizado” e “simpático”, e se 47% dos portugueses procuram informação sobre saúde oral, destes 74,6% fazem-no junto do médico dentista e apenas 15,1% recorre à internet.

O Barómetro Nacional de Saúde Oral 2017 poderá ser consultado no site do Observatório de Saúde Oral da Ordem dos Médicos Dentistas em www.omd.pt/observatorio/2017.

 

Resumo da ficha técnica

Foram realizadas 1102 entrevistas presenciais. A amostra foi construída através do método de amostra estratificada proporcional, para as variáveis género e idade e desproporcional para a variável região, segundo dados do INE. A margem de erro teórica é de 2,95% para um intervalo de confiança de 95%.

 

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