Saman Warnakulasuriya

Deteção precoce e prevenção do cancro oral: o papel da equipa dentária a salvar vidas; Doenças orais potencialmente malignas - desafios no diagnóstico e na gestão clínica

  • Professor emérito de Medicina Oral e Patologia Experimental no King’s College London, Reino Unido, e Presidente da Divisão de Medicina Oral no King’s College Hospital e no Guy’s Hospital, Londres, de 2005 a 2015.
  • Deu importantes contribuições em epidemiologia do cancro, medicina oral e patologia experimental.
  • É um dos principais especialistas em carcinogéneos humanos, especialmente tabaco, álcool e noz de areca, que causam cancro oral.
  • Os seus primeiros trabalhos demonstraram que o tabaco sem combustão e a noz de areca causam cancro oral e levaram a Agência Internacional de Investigação do Cancro a confirmar estas substâncias como carcinogéneos de classe 1.
  • Desenvolveu a terminologia e a classificação das doenças orais potencialmente malignas, além de estudar a sua história natural e as alterações moleculares durante a progressão para a malignidade.
  • É o Diretor do Centro de Colaboração da OMS para o Cancro Oral.
  • Foi nomeado Oficial da Ordem do Império Britânico (OBE) pela Rainha Sua Majestade em 2008 pelos seus serviços à medicina.
  • Recebeu o Prémio de Cientista Distinto da IADR em Medicina e Patologia Oral em 2014 e o Prémio de Cientista Distinto da IADR em Saúde Oral Global em 2022.
  • Foi eleito Fellow do King’s College London (FKC) por contribuições sustentadas e significativas para o Colégio e é Membro Honorário Vitalício da Associação Internacional de Patologistas Orais.

Nacionalidade: Inglaterra

Áreas científicas: Medicina Oral

6 de novembro, de 09h00 às 13h00

Auditório C

Resumo da conferência

Deteção precoce e prevenção do cancro oral: O papel da equipa dentária a salvar vidas

A incidência do cancro oral tem vindo a aumentar em Portugal nas últimas duas décadas. Muitos doentes iniciam o tratamento em estádios avançados da doença, comprometendo a sua esperança de vida. Os principais fatores de risco para o cancro oral são o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, enquanto alguns casos estão associados à infeção por HPV.

Os médicos dentistas desempenham um papel essencial tanto na detecção precoce como na prevenção do cancro oral.

Esta palestra tem como objetivo elucidar formas de identificar pacientes com lesões de “alto risco” através da realização de um exame clínico oral minucioso, baseado no conhecimento dos sinais e sintomas precoces do cancro oral. Serão apresentadas evidências dos benefícios do rastreio populacional e oportunista na redução da morbilidade e mortalidade por cancro oral, bem como a gestão clínica dos casos apresentados nos cuidados primários.

As limitações dos meios auxiliares de diagnóstico disponíveis no mercado na detecção precoce serão analisadas. O diagnóstico tardio e o encaminhamento demorado para o tratamento podem restringir gravemente as opções terapêuticas para os pacientes, que passam a ter prognósticos de sobrevivência mais desfavoráveis.

Por conseguinte, os médicos dentistas devem familiarizar-se com os critérios de “encaminhamento urgente para especialistas”, a fim de minimizar os atrasos frequentemente observados no percurso dum doente com cancro oral. Serão discutidas as abordagens dos cuidados primários na prevenção do cancro oral, com ênfase no papel do médico dentista no apoio à cessação do tabagismo.

Doenças orais potencialmente malignas – Desafios no diagnóstico e na gestão clínica

As doenças orais potencialmente malignas (OPMD) incluem a leucoplasia oral (LO), a leucoplasia verrucosa proliferativa (LVP- multifocal), a eritroplasia, a fibrose submucosa oral (FSO), o líquen plano oral (LPO) e as lesões liquenóides, a queilite actínica (QA), a disqueratose congénita (DC), a doença do enxerto oral contra o hospedeiro (DEcH) e o lúpus eritematoso sistémico oral (LES).

A diferenciação entre as Doenças Orais Potencialmente Malignas (OPMD’s) e outras lesões brancas e vermelhas presentes na cavidade oral é um desafio diagnóstico. Neste grupo diversificado de condições, as taxas de transformação maligna variam significativamente entre os subtipos, desde cerca de 1 a 2% no líquen plano oral (LPO) até mais de 50% em condições de alto risco, como a eritroplasia e a leucoplasia verrucosa proliferativa (LVP).

Um grande desafio enfrentado pelos médicos dentistas generalistas que observam estas condições nos cuidados primários, é avaliar o risco individual de cada paciente e prever quem pode desenvolver malignidade. A aplicação de testes adjuvantes no consultório ainda está em fase de desenvolvimento para identificar uma lesão de alto risco.

A presença e a gravidade da displasia epitelial oral numa biópsia são consideradas o ‘gold-standard’ para avaliar o risco de desenvolvimento de malignidade, mas erros de amostragem e a subjetividade dos relatórios podem limitar uma previsão exata. Intervenções nos hábitos, como a cessação do tabagismo, a moderação do consumo de álcool e uma dieta equilibrada, são elementos essenciais na gestão dessas condições.

Os médicos dentistas desempenham um papel fundamental no acompanhamento regular a longo prazo e na vigilância regular para detetar o desenvolvimento precoce dum carcinoma numa OPMD, enquanto lesões de alto risco podem beneficiar de uma intervenção cirúrgica.

A palestra centrar-se-á também na base atual de evidência, nas lacunas da pesquisa e na investigação contínua para colmatar essas lacunas.

Congresso da OMD 2025
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