M. Infante da Câmara
Defeitos alveolares, elevação do seio maxilar e osseodensificação
- Licenciatura em Medicina Dentária no Instituto Superior de Ciências da Saúde – Norte.
- Implant Fellowship in Implant Dentistry New York University College of Dentistry NYUCD (USA).
- Mestrado em Cirurgia Oral no Instituto Superior de Ciências da Saúde Norte.
- Doutoramento na Universidade de Santiago de Compostela.
Nacionalidade: Portugal
Áreas científicas: Periodontologia
8 de novembro, de 14h55 às 15h20
Auditório A
Resumo da conferência
A regeneração óssea guiada (ROG) é uma técnica amplamente utilizada para restaurar defeitos ósseos alveolares e garantir condições anatómicas favoráveis à reabilitação oral.
A integração dos agregados plaquetários autólogos como o PRF (fibrina rica em plaquetas) surge como uma alternativa biológica que visa potenciar os resultados regenerativos, dada a sua riqueza em fatores de crescimento e propriedades imunomoduladoras. No entanto, apesar do entusiasmo crescente, a aplicação clínica destes biomateriais exige ponderação criteriosa.
A eficácia dos agregados plaquetários depende de múltiplos fatores, como o protocolo de centrifugação, a técnica cirúrgica, a manipulação do coágulo, o tipo de defeito ósseo e o perfil biológico do paciente.
Estudos in vitro e in vivo sugerem benefícios na angiogénese, na maturação óssea e na modulação da inflamação, mas os resultados clínicos permanecem heterogéneos. A ausência de padronização e a variabilidade interindividual desafiam a previsibilidade dos efeitos terapêuticos.
Esta palestra propõe uma reflexão crítica sobre o papel dos agregados plaquetários na ROG, apoiada na literatura científica atual. Serão discutidos os mecanismos celulares e moleculares envolvidos, bem como as indicações clínicas mais consensuais — incluindo defeitos periodontais, elevações do seio maxilar e preservação alveolar.
A apresentação abordará ainda os limites do seu uso isolado, realçando a necessidade de integração com biomateriais osteocondutores e membranas de barreira para alcançar resultados estáveis.
Através da análise de casos clínicos, serão expostas situações em que a utilização apressada ou mal indicada destes concentrados resultou em falhas regenerativas ou complicações pós-operatórias, contrastando com situações onde o seu uso ponderado promoveu uma regeneração previsível e biocompatível.
Neste contexto, “pesar antes de tratar” ganha particular relevância: é fundamental conhecer a evidência disponível, dominar a técnica e adaptar a abordagem ao caso clínico específico. Mais do que uma solução universal, os agregados plaquetários devem ser entendidos como uma ferramenta complementar, cujo sucesso depende da seleção criteriosa do paciente, da técnica cirúrgica e da integração multidisciplinar do tratamento.