Bruno de Carvalho
Biocompatibilidade peri-implantar: o papel da mucointegração
- Chefe de Clínica no Departamento de Periodontologia e Implantologia do Hospital Escola da Universidade de Liège.
- Presidente da Sociedade Belga de Periodontologia.
- PhD Fellow na temática da Performance Biológica de biomateriais para regeneração óssea.
- Co-coordenador da pós-graduação EFP em Periodontologia e Implantologia da Universidade de Liège.
- Atividade clínica exclusiva em Periodontologia, Implantologia, regeneração óssea e cirurgia mucogengival.
Nacionalidade: Portugal
Áreas científicas: Implantologia
8 de novembro, de 17h30 às 18h05
Auditório A
Resumo da conferência
O sucesso a longo prazo dos implantes dentários depende não apenas da osteointegração, mas também do estabelecimento e da manutenção de uma interface estável com os tecidos moles, denominada mucointegração.
Este selamento tecidular desempenha um papel biológico crucial ao proteger o osso subjacente contra a penetração bacteriana e traumas mecânicos, além de contribuir para os resultados estéticos e funcionais da reabilitação implantar.
Um fator determinante para a mucointegração é a qualidade biológica dos tecidos moles peri-implantares. A presença de tecido queratinizado tem sido associada a uma maior estabilidade dos tecidos moles, menor inflamação e melhores resultados relatados pelos pacientes.
Igualmente importante é a seleção e o design dos materiais transmucosos. Um número crescente de evidências mostra que as propriedades de superfície, a topografia e a composição química dos intermediários influenciam significativamente a resposta celular da mucosa peri-implantar.
Materiais como titânio, zircónia, PEEK, dissilicato de lítio e componentes à base de polímeros demonstram efeitos distintos na adesão epitelial, orientação do tecido conjuntivo e infiltração de células imunológicas. Modelos clínicos recentes possibilitaram a avaliação histológica direta dos tecidos moles peri-implantares em humanos.
Estas abordagens, que combinam análises imuno-histoquímicas e histomorfométricas, revelaram perfis distintos de infiltração celular inflamatória, vascularização e arquitetura dos tecidos moles entre diferentes materiais e tratamentos de superfície, oferecendo informações valiosas sobre o seu desempenho biológico.
Esta apresentação irá explorar os aspetos multifatoriais da mucointegração, com foco em como as técnicas cirúrgicas, a otimização dos tecidos moles, a seleção do material transmucoso e o design da superfície contribuem para uma melhor integração dos componentes transmucosos e maior estabilidade dos tecidos peri-implantares a longo prazo.