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Um dos grandes aliciantes da planificação da terapêutica das deformidades dentofaciais é a impossibilidade de padronização dos procedimentos, atendendo à constante necessidade de os adaptar às necessidades e características multifatoriais de cada paciente.
O tratamento das deformidades dentofaciais tem sempre em vista a melhoria da estética facial, a correcção das anomalias funcionais presentes a nível oclusal, fonatório, mastigatório, articular e respiratório, a eventual reestruturação psicossocial e a prevenção do envelhecimento facial precoce, devendo ser, o seu impacto, positivo na satisfação global dos pacientes.
A base do tratamento assenta, essencialmente, na terapia ortodôntico-cirúrgica.
Da mesma maneira que sem cirurgia não há solução para o problema, igualmente não há solução sem ortodontia, tendo em vista que o objectivo terapêutico passa pela obtenção, concomitantemente, de uma oclusão funcional estável.
Grande parte do êxito do problema passa, sem dúvida, pela qualidade da terapêutica ortodôntica efectuada. Se um bom resultado final depende da idoneidade da cirurgia efectuada, alguns objectivos estéticos e funcionais poderão ser postas em risco, se as arcadas dentárias não o permitirem, por preparação inadequada.
Os bons resultados da remodelação facial, mediante cirurgia ortognática, requerem sempre uma planificação detalhada.
A pressão exercida por alguns pacientes, que por razões de tempo e motivos económicos, se mostram pouco tolerantes ao tratamento ortodôntico prévio, pedindo uma antecipação da cirurgia ortognática, e a adoção, nos últimos anos, por alguns profissionais desta prática, como algo novo, moderno e aconselhável, são a maior razão para o tema da nossa conferência.
Passo a passo vamos referir aquelas que são as prioridades na preparação ortodôntica pré-cirúrgica, os princípios que esta deve perseguir, as consequências que decorrem da falta de rigor na sua execução e a definição do momento adequado para a intervenção cirúrgica.
Referimo-nos ainda a questões que paralelamente necessitam solução – a presença de dentes inclusos, os arcos presentes no momento da cirurgia, os dispositivos ortodônticos complementares para a cirurgia e quem deve executar as placas guias cirúrgicas.