Abordagem clínica de uma lesão periapical extensa de origem endodôntica com presença de Actinomyces odontolyticus – um Caso Clínico

Póster de Casos clínicos em Endodontia autoria de Mariana Almeida Oliveira, Joana A. Marques, Mathilde Tellechea, Catarina Chaves, Francisco Marques e Paulo J. Palma

Autores
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Mariana Almeida Oliveira Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Joana A. Marques Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Mathilde Tellechea Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Catarina Chaves Laboratório de Bacteriologia Geral, Serviço de Patologia Clínica, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Francisco Marques Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Paulo J. Palma Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Candidato a prémio

INTRODUÇÃO: As lesões periapicais de origem endodôntica são lesões inflamatórias causadas pela presença de uma infeção persistente, consequência de necrose pulpar. A persistência da infeção induz uma resposta imune inflamatória, com consequente reabsorção óssea e formação de granulomas, abcessos, ou quistos. Estas lesões podem atingir dimensões consideráveis, sendo consideradas de tamanho crítico a partir dos 5 mm no seu maior eixo, permanecendo frequentemente assintomáticas durante um longo período de tempo. À luz da evidência científica atual, não existe um protocolo definido para o tratamento destas lesões. A abordagem de primeira linha deverá sempre ser o tratamento ou retratamento endodôntico não cirúrgico. Porém, na maioria dos casos torna-se fundamental associar um método adjuvante para o controlo da infeção. Entre os vários métodos disponíveis destaca-se a enucleação, a marsupialização e a descompressão. A escolha do tratamento deverá ter em conta diversos fatores, contudo a descompressão representa a opção mais conservadora. O presente relato de caso clínico pretende descrever a intervenção terapêutica de uma lesão periapical de origem endodôntica de tamanho crítico, associada à presença de Actinomyces odontolyticus.

DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO: Paciente do sexo masculino com 45 anos e história de insucesso no tratamento endodôntico não-cirúrgico do dente 11, foi referenciado para retratamento endodôntico não cirúrgico. Sete anos após este procedimento ter sido realizado, tendo a obturação canalar sido realizada com recurso a agregado de trióxido mineral (MTA), o paciente reportou desconforto na região palatina dos dentes 11, 12 e 13. Recorrendo a diversos métodos complementares de diagnóstico (nomeadamente tomografia computorizada de feixe cónico (CBCT), aspiração do conteúdo da lesão e testes de sensibilidade e vitalidade pulpar), diagnosticou-se a presença de uma lesão periapical de origem endodôntica, de tamanho crítico (17.30 mm) associada aos dentes 11, 12, 13 e adjacente ao pavimento nasal. A análise microbiológica do conteúdo purulento aspirado revelou cultura positiva para Actinomyces odontolyticus. Procedeu-se à descompressão, com aplicação de duas técnicas: irrigação/aspiração simultâneas e colocação de dispositivo de drenagem (mantido por um período total de 8 meses). Durante o período de descompressão, os dentes 12 e 13 foram diagnosticados como não vitais, pelo que foi realizado o tratamento endodôntico não-cirúrgico de ambos em duas sessões (obturação canalar com MTA). Foi utilizado hidróxido de cálcio como medicação intracanalar entre sessões. Apesar da redução do tamanho da lesão após descompressão e tratamento endodôntico não-cirúrgico dos dentes 12 e 13, foi necessário realizar uma abordagem cirúrgica, na qual se verificou a existência de uma comunicação oroantral. Utilizou-se a combinação de Bio-Oss e/fibrina rica em plaquetas e leucócitos (L-PRF) como material de regeneração tecidular. Os controlos foram realizados 1 semana, 1, 2, 3, 6 e 16 meses após cirurgia, evidenciando progressiva regeneração óssea.

CONCLUSÕES: A abordagem terapêutica inicial, combinado duas técnicas de descompressão e tratamento endodôntico não-cirúrgico dos dentes não-vitais, não foi suficiente para promover a remissão completa da lesão de tamanho crítico. Contudo, permitiu reduzir o tamanho da mesma, bem como possibilitar o espessamento da membrana da lesão, resultando numa posterior intervenção cirúrgica menos invasiva, menos complexa e com menos riscos associados.

 

Póster, nº 5, 9h40, Hall dos Posters.

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