Estudo retrospetivo da relação entre a discrepância Relação Cêntrica-Oclusão Cêntrica e a Disfunção Temporomandibular com recurso a ferramentas digitais
Póster de Investigação clínica em Ortodontia autoria de Vanessa Pires Guedes, Tomás Pires Tavares Martins, Joana Cristina Pinto Silva, Marta Abreu Costa, Camila Gonçalves Carvalho e Eugénio Martins
INTRODUÇÃO: A disfunção temporomandibular (DTM) é um conjunto de condições caracterizadas por dor e/ou disfunção, que afeta os músculos mastigatórios, a articulação temporomandibular (ATM) e estruturas associadas, tendo uma grande prevalência na população nomeadamente na população ortodôntica. Sendo a sua etiologia multifatorial, vários estudos referem diversos parâmetros oclusais na fisiopatologia da DTM. A posição condilar em relação cêntrica (RC), quando coincidente com a posição condilar em intercuspidação máxima (IM) – posição de oclusão cêntrica (OC) – proporciona uma maior estabilidade ao sistema mastigatório. Uma discrepância significativa entre estas posições está associada a instabilidade oclusal com impacto no diagnóstico e planeamento ortodôntico. Os registos virtuais de dinâmica mandibular permitem, de uma forma totalmente digital, avaliar a discrepância RC-OC calculando o eixo de charneira real do paciente.
OBJETIVOS: Pretendeu-se avaliar se existe relação entre a discrepância RC-OC e a presença de DTM com recurso a registos virtuais de dinâmica mandibular.
MATERAIS E MÉTODOS: Realizou-se um estudo retrospetivo que incluiu uma amostra de 83 pacientes com registos ortodônticos iniciais completos, dos quais se obteve informação quanto ao sexo, idade, classe dentária e classe esquelética. A discrepância RC-OC foi medida através da utilização de um dispositivo de registo de dinâmica mandibular. Através da análise de questionários clínicos do eixo I do CD-DTM (Critérios de Diagnóstico de Disfunção Temporomandibular) foi atribuído um diagnóstico positivo ou negativo. Foram realizadas análises estatísticas descritivas, associativas e comparativas entre as variáveis estudadas. As medições realizadas foram repetidas em 17 pacientes pelo mesmo examinador, com um intervalo de 4 semanas, com o objetivo de analisar o erro associado às medições. Os Testes T-Student não mostraram diferenças estatisticamente significativas (p>0,05), e obtiveram-se valores superiores a 0,90 para os CCI (Coeficiente de Correlação Intraclasse), demonstrando a fiabilidade e ausência de erro nas medições efetuadas. Foi considerado um nível de significância de 5% para os testes estatísticos (p<0,05).
RESULTADOS: A associação da DTM com o sexo e a idade apresentaram diferenças estatisticamente significativas (p=0,004 e p=0,006, respetivamente). Não se observaram diferenças estatisticamente significativas entre os valores de discrepância, a DTM e a classe dentária e classe esquelética (p>0,05). As discrepâncias RC-OC vertical direita e transversal, em valores absolutos e com significado clínico, foram as mais predominantes – 10,8 e 20,5% respetivamente. Os valores médios de discrepância foram mais elevados para diagnósticos positivos de DTM. A discrepância transversal RC-OC apresentou diferenças estatisticamente significativas quando associada com o diagnóstico de DTM (p=0,001), sendo superior nos casos de diagnóstico positivo (0,60±0,45).
CONCLUSÕES: Existe relação entre a discrepância RC-OC transversal e a presença de DTM. Os valores obtidos com dispositivos de registo virtual de dinâmica mandibular podem ser usados como indicadores de risco para a DTM, no entanto, é necessária a calibração destes valores com os de indicadores de posição condilar.
Póster, nº 36, 10h20, Hall dos Posters.