Existe um dispositivo de medição de cor fiável em amostras laboratoriais de resina composta? Estudo comparativo laboratorial de três opções
Póster de Investigação pré-clínica em Materiais dentários autoria de Marta Paes Godinho, António Sales Delgado, Ana Cristina Mano Azul, , e
Introdução: O aumento da exigência estética dos pacientes e a subjetividade não resolvida na medição da cor em medicina dentária tornam a investigação sobre a cor pertinente e urgente. Apesar dos recentes avanços materiais, não existe um consenso gold standard relativamente aos aparelhos de medição digital da cor no contexto clínico ou pré-clínico. Assim, é importante averiguar qual o dispositivo que funciona melhor em amostras laboratoriais.
Objetivo(s): Avaliar e comparar a eficácia da medição de cor, utilizando três aparelhos diferentes, analisando a influência do tipo de resina composta (RC), cor, método de acabamento de superfície e do fundo utilizado.
Materiais e Métodos: Foram testadas as RC 3MTMFiltekTMSupreme XTE (nanoparticulada) e 3MTMFiltek Z250 (microhíbrida), das quais se confecionaram 12 discos de cada na cor A1 (n=6) e A4 (n=6). Seis discos de cada grupo foram aleatoriamente alocados em 2 subgrupos consoante a técnica de acabamento. Em 3, foi realizada a fotopolimerização (20 segundos a uma intensidade média de 900mW/ cm2 com o fotopolimerizador Elipar Deep-cure-S LED (3M ESPE, St. Paul, Minesota, EUA)) sobre uma fita de matriz de Mylar, sem modificações adicionais, e nos outros 3 foi aplicado o protocolo de polimento com uma lixa de carbeto de silício (360 grit SiC). Posteriormente, foi avaliada a cor, com os equipamentos comerciais – SpectroshadeTM Micro e OptiShadeTM – sobre quatro fundos: preto, branco, cinza e frasaco em caixa preta, em comparação com um aparelho experimental (Sarspec Flex). Os dados laboratoriais foram analisados com recurso ao programa SPSS 28.0, utilizando um nível de significância de 5%.
Resultados: No Spectroshade, o tipo de RC foi significativo nos parâmetros a* e b* (p<0,001), enquanto no Optishade apenas no b* (p<0,001). A variação da cor foi significativa (p0,05) em nenhum dos aparelhos. A variação do fundo revelou significância nos aparelhos comerciais (p<0,001). A avaliação de cor apresentou diferenças significativas entre os aparelhos comerciais e o experimental (p<0,001) nos parâmetros L* e a* (p<0,001).
Conclusões: Os aparelhos apresentaram variabilidade entre si, contudo, o fundo preto demonstrou maior concordância. As variáveis, inerentes às RC em estudo, demonstraram influência na medição de cor. No entanto, o método de acabamento da superfície não condicionou os resultados. São necessários mais estudos para a definição de uma padronização fiável na medição de cor em amostras laboratoriais de RC.
Póster, nº 26, 15h40, Hall dos Posters.